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Eleições/Andrea Dorini, candidato ao Senado da Itália

21/02/2018 14h07

SÃO PAULO, 15 FEV (ANSA) - Candidato pelo Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, Andrea Dorini disputa uma vaga no Senado e é coordenador no Espírito Santo da representação da Câmara de Comércio Ítalo-Brasileira do Nordeste.   

Além disso, é dono de uma empresa de consultoria em importação e exportação. Dorini também já atuou em associações de cidadãos mantovanos e lombardos e trabalhou durante cinco anos na Câmara de Comércio Ítalo-Brasileira do Mato Grosso do Sul.   

As trocas comerciais entre Brasil e Itália caíram mais de 30% desde 2013, ano das últimas eleições legislativas italianas. O que o senhor propõe para recuperar as relações entre os dois países no âmbito do comércio? Olha, eu tenho um projeto que já está em desenvolvimento, muito interessante. É um projeto que tem a ver com aquela nossa oficina de alta tecnologia italiana. Está renascendo a federação das oficinas de alta tecnologia italiana no Brasil. Porque a nossa tecnologia deve entrar em toda a América do Sul. Estou conectando entidades italianas com entidades brasileiras, com empresas internacionais brasileiras, para poder dar esse acompanhamento. Nosso "made in Italy" deve entrar imediatamente em nosso segmento brasileiro.   

Qual é a proposta do senhor para aproximar Brasil e Itália na cultura e no turismo? Outra coisa muito importante é que já estou desenvolvendo, há 12 meses, já falei diretamente com o governo do Espírito Santo, quero fazer essa grande irmandade entre a comunidade italiana que mora, neste caso, aqui no Espírito Santo, mas também esse projeto será desenvolvido em toda a América do Sul. E aquela cidade de origem italiana, do Vêneto, do Trentino e da Lombardia... Isso porque é normal que essa conexão da segunda, terceira, quarta geração deve querer saber onde nasceram.   

Nos últimos anos, apenas um primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, veio ao Brasil, e por causa das Olimpíadas. A Itália negligenciou as relações com o Brasil e vice-versa? Sim, com certeza. Se deve colocar a Itália muito mais perto do Brasil, porque, para nós, o Brasil é um recurso, no Brasil tem uma luz. Outra coisa importante é que toda essa comunidade italiana aqui no Brasil é um recurso para divulgar o "made in Italy", e eu estou fazendo esse trabalho há 14 anos no Espírito Santo, e quero divulgar o "made in Italy" usando essa grande força de pessoas de segunda, terceira geração, porque elas têm no DNA a italianidade.   

As eleições de outubro no Brasil podem facilitar a retomada das relações com a Itália? Sim, com certeza, com absoluta certeza. Porque se deve um pouco mudar, trocar essa, como se pode falar, abrir a janela, que esse ar possa sair, novos deputados eleitos no exterior, na América do Sul, novos senadores eleitos. A minha visão sempre foi essa: governo novo, ar novo, vida nova. E também não quero falar mal de ninguém, porque todo mundo que trabalhou até hoje trabalhou bem, mas eu, quando pergunto o que exatamente um deputado ou senador, em cinco, 10, 15 anos, fez para o cidadão italiano, ninguém sabe nada.   

O senhor é a favor da extradição de Cesare Battisti pelo governo brasileiro? Sim, sim. Eu sou a favor da extradição porque é justo que, se o governo italiano condenou o Battisti, ele deve ir na Itália dar explicações. Conheço um pouco essa história, que hoje, naturalmente, muita gente conhece, mas tem muita coisa que se dá para poder descobrir a mais. Esse aí não volta para a Itália porque tem coisa muito mais profunda que o italiano deve saber.   

Os defensores de Battisti acusam a Itália de tentar interferir nas instituições do Brasil ao pedir novamente sua extradição, mesmo depois das decisões tomadas pelo presidente da República (Lula) e pelo Supremo Tribunal Federal. O que o senhor pensa dessa visão? Como eu já falei, eu penso que, se uma pessoa, neste caso, italiana, cometeu um crime ou pelo menos se presume que cometeu um crime, ela justamente deveria voltar para a Itália. O governo brasileiro não deveria se colocar no meio desse argumento. Se ele fosse inocente, já estava na Itália para explicar que ele não fez nada, não aconteceu nada e que tudo isso é mentira. Mas se ele está no Brasil é porque, provavelmente, alguma coisa aconteceu.   

A comunidade de ítalo-descendentes no Brasil reclama bastante das filas para reconhecimento de cidadania nos consulados. O que o senhor propõe para melhorar essa situação? Primeiramente, eu tenho minha ideia que uma pessoa de origem italiana, de segunda, terceira ou quarta geração, ela deveria obter por direito a cidadania italiana. Porque desde quando chegaram os italianos no Brasil, em 1875, essas pessoas lutaram, construíram casas, estradas na Mata Atlântica, fizeram igrejas, hospitais, sofreram muito, mas porque também, até hoje, essas pessoas têm no DNA a italianidade. É normal que se deve mudar o sistema, mas se deve mudar de verdade. Nós somos um recurso, é uma Itália que mora fora da Itália.   

O senhor é a favor da imposição de um limite de geração à concessão de cidadania jus sanguinis, como propôs um senador italiano no fim do ano passado? Não, absolutamente. Eu tenho muitos anos frequentando as comunidades. Imaginar que tem pessoas que mantêm até hoje a língua e cultura italiana, o dialeto trentino, vêneto e lombardo, música italiana. Não, absolutamente. Também aquele menino que hoje tem cinco anos, que o pai mantém a cultura italiana, ele está aprendendo italiano. Por que limitar? Limitar quem? Não se pode limitar. (Continua)
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