Abaixo-assinado recordista pode ter sido 'sequestrado' por defensores de permanência na EU

  • Reprodução

    Reprodução do site petition.parliament.uk de petição que pede novo referendo sobre saída do Reino Unido da UE

    Reprodução do site petition.parliament.uk de petição que pede novo referendo sobre saída do Reino Unido da UE

Um comitê do Parlamento britânico está investigando denúncias de fraude no abaixo-assinado eletrônico que pede a realização de um segundo referendo sobre a União Europeia.

As autoridades estão analisando a presença de nomes falsos no documento, que já reuniu mais de 3 milhões de assinaturas desde que viralizou nas redes sociais. Segundo o Comitê de Petições, 77 mil assinaturas já foram removidas do abaixo-assinado.

Apesar da popularidade do documento, o governo britânico já avisou que não haverá uma segunda consulta popular.

No plebiscito, realizado na quinta-feira, 52% dos britânicos votaram pela saída do país da União Europeia.

O que está chamando mais a atenção, porém, é o fato de a petição ser obra de um eurocético.

Em um post no Facebook, Oliver Healey, ativista do Democratas Ingleses, um pequeno partido britânico que sequer tem representação parlamentar, mas que apoiou a campanha do "não" à UE, disse ter criado o abaixo-assinado por temer que os britânicos votassem pela permanência no bloco.

"Iniciei a petição quando parecia que perderíamos o plebiscito. Queria tornar difícil que continuássemos acorrentados à UE", escreveu o ativista.

Healey acusou os partidários da permanência na UE de "sequestrarem" o documento.

Pontos de vista

Helen Jones, do Comitê de Petições, afirmou que as autoridades estão levando as denúncias de fraude a sério.

"As pessoas que estão usando nomes falsos precisam saber que estão prejudicando a causa", disse Jones.

De acordo com a legislação britânica, petições on-line que passarem de 100 mil assinaturas têm de ser analisadas pelo comitê e podem ser debatidas no parlamento.

A petição sobre o referendo recebeu um recorde de assinaturas e o tráfego derrubou algumas vezes o site do Parlamento britânico.

Segundo um porta-voz da casa, o documento foi criado em 24 de maio, mas já tinha 22 assinaturas no momento em que os resultados do plebiscito foram anunciados, na manhã da última sexta-feira.

O abaixo-assinado pede que o governo crie leis exigindo comparecimento às urnas de pelo 75% do eleitorado para que o resultado da consulta sobre a UE seja considerada válida - o comparecimento foi de 72%, mais do que os 66% de eleitores registrados que votaram nas eleições-gerais do ano passado.

No entanto, segundo o correspondente político da BBC Iain Watson, a petição não pode ser aceita porque pede legislação retroativa - o percentual de comparecimento teria que constar nas regras antes da realização do plebiscito.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos