Contra 'chatice', Trump transforma convenção que oficializará candidatura em show

João Fellet

Da BBC Brasil

  • Li Muzi/ Xinhua

    Trump transformará convenção em 'showbiz'

    Trump transformará convenção em 'showbiz'

Rejeitado por vários líderes de seu partido, o empresário Donald Trump resolveu inovar no evento em que deverá ser confirmado como o candidato republicano na eleição para a Casa Branca em novembro, convocando uma série de figuras alheias ao universo político para discursar aos eleitores.

Entre os convidados a falar na Convenção Republicana, que ocorre entre esta segunda e quinta-feira, em Cleveland, estão vários de seus familiares, uma ex-astronauta, o presidente da liga de artes marciais mistas (UFC) e um bilionário do Vale do Silício.

A convenção marca o fim das primárias, período em que eleitores de cada Estado americano escolhem os candidatos que devem concorrer à Presidência pelos partidos Democrata e Republicano.

Na convenção, delegados que representam os eleitores de cada Estado se reúnem para formalizar o resultado das votações.

Trump venceu as primárias republicanas e obteve 1.447 votos de delegados, bem à frente do senador Ted Cruz (551), do senador Marco Rubio (167) e do governador John Kasich (161).

No passado, políticos podiam convencer os delegados a alterar seus votos, o que tornava as convenções eventos decisivos. Com o tempo, os partidos passaram a restringir o poder dos delegados, obrigando a maioria deles a seguir à risca a escolha dos eleitores de seus Estados.

Hoje, só uma minoria dos delegados republicanos e democratas é livre para decidir em quem votar.

As convenções se tornaram mais previsíveis, mas continuaram relevantes no calendário eleitoral, usadas pelos partidos e candidatos vitoriosos para expor suas bandeiras e demonstrar força e unidade.

Segundo o Partido Republicano, cerca de 15 mil jornalistas se credenciaram para acompanhar o evento, e 50 mil eleitores devem visitar Cleveland durante a convenção.

Na semana que vem, será a vez do Partido Democrata realizar sua convenção para oficializar a candidatura de Hillary Clinton, na Filadélfia.

Menos política, mais 'showbiz'

Com Trump, a convenção republicana será diferente das últimas. Alguns figurões do Partido Republicano - como o ex-governador Jeb Bush, o senador John McCain e o ex-governador Mitt Romney - decidiram não participar do evento por discordarem de bandeiras do empresário ou terem se desentendido com ele nas primárias.

Para "acrescentar um pouco de 'showbiz'" à convenção, segundo ele próprio, Trump decidiu mudar a cara do evento, criando sessões temáticas e escalando personagens inusitados.

Na noite desta segunda, o tema principal do encontro será o ataque ao consulado americano em Benghazi (Líbia), em 2012, o que deve render duras críticas à candidata democrata Hillary Clinton. Na época do ataque, Hillary era a chefe da diplomacia americana. Republicanos dizem que ela falhou gravemente no episódio ao ignorar alertas sobre ameaças ao edifício.

Também devem falar na primeira noite a esposa do empresário, Melania Trump, e um ativista anti-imigração que teve o filho morto por um imigrante indocumentado.

Na segunda noite, o foco será a economia. Alguns dos convidados são dois filhos de Trump (Donald Jr. e Tiffany) e o presidente do UFC, Dana White.

Na terceira noite, falarão outro filho do empresário, Eric, a procuradora-geral da Flórida, Pam Bondi, e a ex-astronauta Eileen Collins.

Trump comentará todas as participações na convenção pelo Twitter, mas só aparecerá na quarta e última noite, quando também devem discursar sua filha Ivanka e o empresário do Vale do Silício Reince Priebus.

Políticos experientes - como o senador Ted Cruz, o governador de Wisconsin, Scott Walker, e o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani - também farão discursos ao longo do evento. O escândalo sexual que envolveu o marido de Hillary, Bill Clinton, é outro tema que deverá ser mencionado na reunião.

Aposta arriscada

Trump disse que, ao planejar a convenção, quis evitar que os eleitores sentissem sono ao acompanhá-la e que o encontro republicano em 2012 foi o "mais chato" que já viu na vida.

Para analistas, a aposta pode lhe favorecer, mas há riscos. Em entrevista ao The New York Times, o consultor político Kevin Madden diz que o sucesso da estratégia dependerá em boa medida da postura do próprio candidato.

"Mais do que tudo, os republicanos querem ver Trump demonstrando disciplina e unidade, e uma mensagem que apele aos (eleitores) independentes", afirma.

"Uma convenção bem organizada e executada pode realmente ajudar Trump, mas ele consegue ser indisciplinado, bombástico e controverso nos piores momentos possíveis."

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