3 problemas que Hillary Clinton enfrenta a 4 dias das eleições nos EUA

Gerardo Lissardy

Da BBC em Nova York

  • Carlos Barria/ Reuters

    Clinton enfrenta ao menos três grandes dificuldades na luta para se tornar a primeira mulher presidente dos EUA

    Clinton enfrenta ao menos três grandes dificuldades na luta para se tornar a primeira mulher presidente dos EUA

Até uma semana atrás, Hillary Clinton parecia avançar com passo firme rumo a um triunfo nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, que serão realizadas na próxima terça-feira.

Mas agora, a quatro dias do pleito, um levantamento da BBC que considera os resultados de várias pesquisas indica um empate técnico entre os candidatos, cada um com 45% das intenções de voto.

"Ela ainda é a favorita", disse David Parker, um especialista em política americana da Universidade Estatal de Montana. "Mas talvez exista muito mais incerteza nesta eleição do que em 2012", disse à BBC.

O problema mais evidente de Hillary é a decisão do FBI de reabrir a investigação sobre o uso de um servidor particular por ela durante sua gestão como secretária de Estado americana.

O assunto gerou uma polêmica inesperada, na qual o próprio presidente Barack Obama se meteu na quarta-feira ao criticar duramente o FBI pela sua forma de agir.

Entretanto, as pesquisas apontavam que, mesmo antes dessa polêmica, Trump já diminuia a distância em relação a Hillary, apesar das acusações de assédio sexual que surgiram no mês passado e prejudicaram o republicano.

Fato é que Hillary enfrenta três grandes dificuldades para garantir sua vitória e virar a primeira mulher presidente dos Estados Unidos:

As investigações do FBI

É evidente que a campanha eleitoral foi abalada na reta final da disputa, com o anúncio da retomada das investigações do FBI sobre Hillary.

O fato, revelado pela primeira vez em 2015, levantou dúvidas se, ao usar um servidor privado em vez de um oficial, Hillary violou alguma lei ou colocou em risco a segurança nacional.

Em julho, a polícia federal americana conduziu uma apuração paralela e decidiu que Hillary não deveria ser processada.

A agência encaminhou o caso para o Departamento de Justiça, que arquivou o processo contra Hilllary e seus assessores sem apresentar acusação.

Desde então, o Departamento de Estado retomou a investigação para apurar se Hillary e auxiliares violaram a política do governo ao tratar informações sigilosas.

Na quarta, o diretor do FBI, James Comey, enviou uma carta ao Congresso dizendo que haviam encontrado e-mails que pareciam pertinentes à investigação em um computador de uma assessora de Clinton.

Comey disse que a polícia vai investigar se as mensagens têm informações confidenciais, sem dar mais detalhes. A questão é se mais informações sobre o caso serão divulgadas antes do dia da eleição.

Trump usou esse caso para questionar a honestidade de Clinton, que por sua vez tenta chamar atenção sobre o comportamento ofensivo de seu rival com as mulheres.

Na quarta-feira, Obama repreendeu publicamente o FBI por sua carta ao Congresso. "Quando há investigações, não agimos com base em insinuações, informações incompletas ou infiltrações", disse o presidente à startup de notícias NowThis News. "Agimos com base em decisões concretas", acrescentou.

Para alguns, trata-se de um apoio importante de Obama a Hillary, para outros é uma pressão indevida do presidente sobre os investigadores.

Impopularidade e desconfiança

Outro desafio enfrentado por Hillary é a sua baixa popularidade. Várias pesquisas apontaram opiniões desfavoráveis sobre ela, com diferenças que variam entre um e mais de 20 pontos.

"Definitivamente, sua impopularidade é um problema", diz Parker. Trata-se de uma desvantagem pouco comum para uma candidata americana, mas também é um problema enfrentado por Trump, inclusive em um nível ainda maior.

Ainda assim, a última pesquisa dos veículos ABC News/Washington Post indicou no começo desta semana que Trump conseguiu oito pontos de vantagem sobre Clinton ao perguntar aos eleitores qual candidato é mais honesto e confiável, questão que os deixava empatados em setembro.

Isso pode estar ligado à polêmica dos e-mails de Clinton.

Mas existem outras explicações para os problemas de impopularidade e desconfiança da democrata, incluindo o fato de que ela tem décadas de carreira política incluindo várias polêmicas sobre ela e seu marido, o ex-presidente Bill Clinton.

Obama também tentou refutar as suspeitas sobre Hillary. "Confio nela", disse em entrevista ao NowThis News. "Eu a conheço e não estaria a apoiando se não tivesse completa confiança em sua integridade", disse.

Um dia antes, o presidente sugeriu sexismo na forma como ela é tratada por ser mulher. "Hillary Clinton é consistentemente tratada de maneira diferente da que de qualquer outro candidato", disse em um evento em Ohio. "Existe um motivo para não termos uma mulher presidente", acrescentou.

Falta de entusiasmo dos eleitores

A terceira dificuldade de Hillary é uma certa frieza em relação à sua campanha, inclusive daqueles dispostos a votar nela.

A pesquisa da ABC News/Washington Post apontou uma queda de sete pontos entre os possíveis eleitores de Hillary que se definem como "muito entusiasmados", passando de 52% a 45% em menos de 10 dias.

No mesmo período, Trump avançou nesse mesmo campo com seus possíveis eleitores, com um crescimento de 49% a 53%.

Mesmo assim, o número de pessoas que querem votar antecipadamente em vários Estados mostra que houve uma queda da participação dos eleitores negros em relação a 2012.

"Há motivos para pensar por que mais pessoas negras votavam antecipadamente quando Obama era o candidato", disse à BBC Bruce Oppenheimer, professor de Ciência Política da Universidade de Vanderbilt.

Isso pode ser outro sinal de alerta para Hillary, já que é uma parte do eleitorado que geralmente vota nos democratas.

De qualquer forma, Hillary poderia se beneficiar de uma maior participação dos eleitores latinos e Oppenheimer prevê que em alguns Estados ela deve vencer de maneira arrebatadora.

No entanto, uma participação menor dos eleitores negros pode ser um inconveniente em potencial para a candidata em Estados mais acirrados, segundo o professor.

Hillary quer fazer história

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