A história por trás da MS-13, a super-gangue que gera onda de medo nos EUA após série de assassinatos brutais

  • Spencer Platt/Getty Images/AFP

Uma sequência de assassinatos brutais nos Estados Unidos voltou as atenções para a MS-13, uma gangue de rua que nasceu em Los Angeles, mas tem raízes em El Salvador.

O incidente mais recente aconteceu na segunda-feira passada: um assassinato em massa em Long Island, onde os corpos de quatro homens, incluindo três adolescentes, foram encontrados mutilados em uma floresta, de acordo com a polícia.

Pelo Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou a gangue de "perversa".

Já o procurador-geral do país, Jeff Sessions, prometeu "dizimá-la".

E ambos culparam a política de imigração da era Obama por sua ascensão.

Mas o que é a MS-13? E qual seria a culpa de Obama?

Ulises Rodriguez - 20.mai.2013/Reuters

Extrema violência

A MS-13 surgiu nos bairros de Los Angeles durante os anos 1980, formada por imigrantes que fugiram da longa e brutal guerra civil de El Salvador. Outros membros vieram de Honduras, Guatemala e México.

MS significa 'Mara Salvatrucha', uma combinação das palavras Mara ("gangue"), Salva ("Salvador") e trucha ("malandros da rua"). Já o número 13 representa a posição da letra M no alfabeto.

A gangue ficou famosa por seus atos de violência extrema, como matar usando facões, por exemplo.

De acordo com o FBI, a polícia federal americana, a MS-13 já está presente em 46 Estados americanos.

Em 2012, o governo americano classificou a gangue como uma "organização criminosa transnacional".

Foi a primeira gangue de rua a ser descrita dessa forma, equiparando-se, portanto, a grandes organizações criminosas internacionais, como a mexicana Zetas, a japonesa Yakuza e a italiana Camorra.

Rituais de iniciação

Segundo autoridades, a MS-13 recruta adolescentes pobres e em situação de risco.

Para entrar no grupo, dizem relatos, passa-se por uma sessão de espancamento que dura 13 segundos. Além disso, é preciso praticar um crime, frequentemente um assassinato, para a gangue.

Abandoná-la é ainda mais perigoso. Grandes tatuagens no peito marcam os membros por toda a vida, e algumas facções supostamente matam aqueles que tentam sair.

Em 2008, segundo estimativas do FBI, a MS-13 tinha entre 6 mil e 10 mil membros.

Mas agora já é maior fora do país. Após uma operação que reprimiu diversas gangues no fim da década de 90, parte de seus integrantes foi enviada de volta a países da América Central, onde estabeleceram ramificações do grupo.

Estudos estimam em 60 mil o número de integrantes da MS-13 na região.

E suas receitas anuais seriam da ordem de US$ 31 milhões (R$ 98 milhões), a maior parte obtida por meio do tráfico de drogas e extorsão.

"Mate, estupre, controle"

Casos emblemáticos ligados recentemente à gangue incluem o assassinato de duas estudantes de Ensino Médio.

Elas foram atacadas com um facão e um taco de beisebol quando atravessavam um bairro em Nova York no mês passado.

O ataque teria sido motivado por vingança, informou a polícia. Quatro supostos membros da MS-13 foram indiciados pelo crime.

No mesmo mês, outros dois supostos integrantes da organização criminosa em Houston, no Texas, foram acusados pelo sequestro de três adolescentes.

As jovens foram mantidas reféns e estupradas antes de uma delas ter sido morta no acostamento de uma estrada.

Segundo um especialista do FBI que investiga o grupo, o lema da MS-13 é 'matar, estuprar e controlar'.

Culpa de Obama?

Trump e Sessions culparam o ex-presidente americano Barack Obama pela ascensão da MS-13, alegando que sua política de "portas abertas" para a imigração acabou impulsionando o crescimento da gangue.

Mas a organização criminosa se formou e floresceu nos Estados Unidos antes de Obama chegar ao poder.

A MS-13 havia sido identificada como uma ameaça pelas autoridades nos anos 90, e uma força-tarefa do FBI foi criada para investigar a gangue em 1994.

"O maior crescimento se deu durante a era Bush-Cheney quando cresceu a imigração ilegal da América Central. Paralelamente, o governo aumentou a repressão contra essas organizações criminosas, superlotando as prisões, ao passo que os programas de reabilitação dos presos perderam financiamento", explicou Fulton Armstrong, pesquisador do Centro para Estudos Latino-americanos da American University, ao site Politifact.

"Não vejo por que a administração Obama tem de ser culpada pela existência ou atividades dessa gangue nos Estados Unidos", completou Ioan Grillo, autor de um livro sobre gangues americanas.

Obama também priorizou a deportação desses criminosos, incluindo integrantes da MS-13, mediante um programa de deportação agressivo.

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