Oposição síria critica omissão internacional após ataque com 1.300 mortos

Ilya U. Topper.

Istambul, 21 ago (EFE).- A oposição síria criticou nesta quarta-feira a passividade internacional após a denúncia de um ataque químico que teria deixado 1.300 mortos na periferia de Damasco, atitude que só se pode interpretar - afirma - como um apoio ao regime de Bashar al Assad.

Durante uma emocionada entrevista coletiva em Istambul, o porta-voz da Coalizão Nacional Síria (CNFROS), George Sabra, denunciou que já não é apenas o regime de Assad que mata os civis sírios, mas "toda a comunidade internacional".

"Nos mata a Organização das Nações Unidas, com sua passividade, nos matam os Estados Unidos, por sua falta de apoio, nos matam os países que se chamam 'livres', nos matam os países árabes, que deveriam nos ajudar, nos matam nossos amigos", acusou enfaticamente Sabra.

O regime de Damasco negou categoricamente o uso de armas químicas no distrito de Guta, na periferia de Damasco, onde aconteceu nesta manhã um contundente ataque militar.

Mas Badr Yamus, secretário-geral da Coalizão, disse em declaração à Efe após a entrevista coletiva que "os médicos presentes na zona acham que se poderia tentar gás sarin, pela forma com que mulheres e crianças morreram em suas casas".

Admitiu não ter muitos dados, mas assinalou que "não é a primeira vez que ocorre um crime deste tipo", e culpou a comunidade internacional por não investigá-lo nunca.

"Eles sabem muito melhor o que acontece, mas sempre deixam passar meses antes de fazer algo. Agora há uma comissão das Nações Unidas em Damasco, a apenas dez quilômetros do local. Pedimos que vá investigar, mas dizem que não podem sair do hotel sem permissão do regime", acrescentou Yamus.

"Os Estados Unidos disseram que o uso de armas químicas era uma linha vermelha, mas Assad violou não apenas essa linha vermelha, mas todas as linhas de todas as cores", concluiu.

Agora, a comunidade internacional precisaria convocar imediatamente uma reunião para decidir medidas contra o regime de Damasco e pôr fim a suas atividades militares, exigiu George Sabra na entrevista coletiva.

Tais medidas seriam tomadas sob o capítulo VII da Carta das Nações Unidas, destinado a impedir agressões contra a paz e a segurança mundial.

"Isso é uma agressão internacional à Síria", sustentou Sabra, citando o envio de milícias do Irã e de combatentes do movimento libanês Hezbollah ao conflito sírio.

As medidas deveriam incluir a imposição de uma zona de exclusão aérea e a abertura de corredores humanitários para garantir o envio de ajuda aos civis, inclusive a regiões "sob ataque", como a periferia de Damasco, Guta e Homs.

Além disso, reiterou Sabra, é fundamental enviar o Exército Livre da Síria (ELS) armas que equivalham em potência e quantidade às usadas pelas forças regulares, para poder enfrentá-los e equilibrar a situação militar.

Nesse sentido, lamentou Yamus, o ELS se sente abandonado: "Toda a ajuda internacional não passa de 1% da que o Irã repassa a Assad: o resultado é que Teerã parece ter mais poder do que todo o resto do mundo".

"Não pedimos esta ajuda: exigimos, porque é nosso direito e seu dever", reforçou George Sabra.

A entrevista coletiva acabou em um exaltado debate quando alguns jornalistas sírios perguntaram sobre a utilidade da oposição síria no exterior que, disseram, repete as mesmas exigências há dois anos sem conquistar avanços reais.

Sabra defendeu os esforços diplomáticos da CNFROS e afirmou que o organismo elevou o tom de sua denúncia.

"É a primeira vez que acusamos diretamente os países que supostamente nos apoiam de que eles também são culpados das mortes na Síria, porque também é assassino quem se cala diante de um assassinato", sentenciou Sabra.

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