Presos políticos triplicaram sob governo de Xi Jinping, segundo CHRD

Pequim, 16 fev (EFE).- Os presos políticos quase triplicaram desde a chegada ao poder do presidente da China, Xi Jinping, há pouco mais de três anos, segundo um relatório anual divulgado nesta terça-feira por uma das ONG em defesa dos direitos mais ativas do país.

Ao mesmo tempo que a China consolida seu papel no plano internacional, com iniciativas como o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII) e a nova Rota da Seda, no país se estreita cada vez mais o espaço das liberdades, denuncia a organização Chinese Human Rights Defenders (CHRD), com sede em Hong Kong.

A organização documenta em seu relatório anual que as autoridades chinesas detiveram em 2015 22 defensores dos direitos humanos como suspeitos de "crimes políticos", acusados de incitar a subversão contra o poder do Estado, um número que é igual à soma total das detenções registradas nos três anos anteriores (4 em 2014, 10 em 2013 e 8 em 2012).

Apenas em janeiro, a CHRD confirmou 11 casos de detenções de cidadãos acusados de subversão.

O número só recolhe aqueles acusados de delitos "políticos", apesar do número de detenções de defensores dos direitos humanos chegar a mais de 700 em 2015, aqueles que, pelo menos, passaram cinco dias sob detenção.

O número, no entanto, é inferior ao de 2014 (952), apesar da organização não acreditar nesta suposta queda e argumentar que em 2015 ter muito mais dificuldade de acesso à informação.

Sob o mandato de Xi, a tortura e a impunidade dos que a perpetram persiste e a repressão se estendeu a grupos que anteriormente contavam com o sinal verde do governo, como feministas e trabalhadores de ONG em defesa de grupos minoritários, acrescenta o documento.

Em 2015, cinco das feministas mais ativas em defesa dos direitos da mulher foram detidas por 37 dias, pouco antes de realizarem uma campanha para conscientizar sobre as agressões a mulheres no transporte público, e de forma prévia à celebração do Dia Internacional da Mulher (8 de março).

O ano passado também será recordado como o "ataque sem precedentes" contra advogados que trabalham em casos sensíveis, destaca CHRD.

Esta campanha, cuja magnitude semeou o medo entre membros do coletivo, aconteceu em julho e nela foram detidos, interrogados ou "desapareceram" mais de 300 advogados. Hoje mais de 20 seguem em mãos das autoridades e alguns já foram acusados de delitos de subversão, pelo qual podem receber uma alta condenação de prisão e inclusive prisão perpétua.

O presidente Xi Jinping foi se blindando, recolhe o CHRD, com novas legislações que justificam a repressão das liberdades, como a Lei de Segurança Nacional e a emenda da Lei Criminal, que permite aos juízes ter poder sobre os advogados, podendo considerar seus discursos na corte como "insultante" ou "ameaçante", e castigá-los por isso com até três anos de prisão.

Em 2015, além disso, vários processos contra ativistas, dissidentes ou reconhecidos advogados, como Pu Zhiqiang, um dos mais ilustres advogados de direitos humanos na China, condenado a três anos de prisão domiciliar por sete mensagens breves que publicou em uma rede social.

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