Dois maiores partidos irlandeses fecham acordo de governo

Dublin, 29 abr (EFE).- O partido conservador Fine Gael, vencedor das eleições gerais na República da Irlanda em fevereiro, conseguiu nesta sexta-feira um acordo com o centrista Fianna Fáil para governar em minoria, 63 dias depois de o país ir às urnas para um pleito legislativo.

Ambas as legendas confirmaram após várias horas de negociações hoje que o Fianna Fáil facilitou a formação de um Executivo liderado pelo conservador Enda Kenny, junto com vários deputados independentes. Depois de pronta a minuta definitiva, as duas partes submeterão o texto à ratificação de suas respectivas legendas.

Em breve comunicado, o Fine Gael e o Fianna Fáil indicaram que Kenny e o líder dos centristas, Micheál Martin, "foram informados" sobre o acordo que as equipes preparam agora o texto final.

Ao mesmo tempo, os conservadores já iniciaram contatos com o grupo de parlamentares independentes que fará parte do novo governo, que deve ser referendado em uma votação no próximo dia 4 de maio.

Desde o início do diálogo, Martin tinha deixado claro que não queria dividir o poder com o partido de Kenny, apesar de ter se mostrado disposto a apoiá-lo, com ressalvas.

Apesar de todos os detalhes do pacto ainda não terem sido divulgados, a imprensa irlandesa afirma que o Fianna Fáil não bloqueará o andamento de medidas legislativas essenciais para o governo de coalizão na Câmera Baixa do país.

O principal empecilho durante as negociações foi a oposição do partido de Martin à aplicação de um impopular imposto sobre a água, criado pelo Fine Gael na última legislatura, quando governou em coalizão com o Partido Trabalhista.

De acordo com os analistas, o imposto, assim como outras medidas de austeridade, fizeram com que os conservadores conseguissem a vitória nas eleições gerais de fevereiro, enquanto os trabalhistas obtiveram um de seus piores resultados ao perder 30 de seus 37 deputados.

O Fianna Fáil conseguiu que o Fine Gael voltasse atrás e aceitasse a suspensão da cobrança da taxa por pelo menos um ano, período em que uma comissão independente estudará alternativas viáveis. No entanto, se considera como certo que qualquer opção que não contemple o fim do imposto será rejeitada.

Neste caso, segundo os analistas, a pressão interna sobre Kenny deve aumentar, o que poderia, inclusive, obrigá-lo a convocar novas eleições gerais e deixar de ser candidato.

Martin lembrou que a maioria dos integrantes do parlamento, um dos mais heterogêneos das últimas décadas, foi escolhida, entre outras questões, por ser contrário à impopular taxa.

Desde as últimas eleições gerais, as três sessões realizadas no parlamento para votar as candidaturas de Kenny e Martin ao posto de primeiro-ministro fracassaram porque nenhum deles obteve o número suficiente de votos entre os grupos minoritários e independentes.

Nesse contexto, o Fine Gael e o Fianna Fáil, partidos que se alternam no poder na República da Irlanda desde a independência do Reino Unido há quase um século, se viram obrigados a negociar para conseguir um grande pacto de governo.

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