Opositor russo que protestou com máscara de Putin pede asilo na Ucrânia

Moscou, 21 ago (EFE).- O ativista russo Roman Roslovtsev, opositor que ficou famoso por protestar repetidamente na Praça Vermelha contra o retrocesso da democracia na Rússia com uma máscara do presidente, Vladimir Putin, pediu asilo político neste domingo na Ucrânia.

"O motivo pelo qual decidi pedir asilo na Ucrânia é a impossibilidade de seguir com minhas atividades contestatárias na Rússia. Na frente da minha casa estão de guarda agentes do Serviço Federal de Segurança" (FSB, antigo KGB), declarou Roslovtsev à televisão ucraniana, segundo informaram os veículos de imprensa russos.

Roslovtsev, que ganhou fama ao se manifestar em 11 ocasiões com uma máscara de Putin, afirmou que devido à estreita vigilância à qual foi submetido pelo FSB, decidiu fugir para a Ucrânia sem nenhuma filiação pessoal.

O incidente que o levou a deixar a Rússia ocorreu no final de julho, quando desconhecidos que se identificaram como membros das forças de segurança o introduziram contra sua vontade em um carro e o ameaçaram para que parasse de protestar com a imagem do chefe do Kremlin.

A princípio, o Serviço de Fronteiras ucraniano informou à imprensa que "um conhecido escritor" tinha pedido asilo "devido à perseguição política na Rússia".

Aparentemente, Roslovtsev, cujo pedido foi imediatamente satisfeito pelos serviços migratórios ucranianos, se apresentou como escritor e personalidade pública russa ao atravessar a fronteira entre Ucrânia e Belarus.

O opositor, que foi detido em 20 ocasiões e passou várias semanas em detenção administrativa, se manifestou nos últimos meses sozinho com uma máscara de borracha de Putin contra uma lei que limita a liberdade de expressão com penas de prisão.

"Nosso país é dirigido por um ditador, mas ele tem certa educação jurídica. Deveria entender que esse artigo é absurdo e anticonstitucional", disse Roslovtsev em junho à Agência Efe, de 36 anos.

Ele se referia ao artigo do código penal 212.1 que tipifica como causa penal a soma de quatro faltas administrativas cometidas em um prazo de 180 dias e que ele e outros opositores consideram "um disparate".

Nesta mesma semana, a Ucrânia também concedeu asilo político ao opositor russo Vladimir Ionov, que fugiu perante a ameaça de ser preso por participar de várias protestos contra essa mesma lei.

Ionov, de 76 anos, foi o primeiro ativista contra quem a Justiça russa iniciou (em janeiro de 2015) um processo judicial em virtude do artigo 212.1.

Até o momento, só um opositor russo foi preso por esse artigo, Ildar Dadin, ao ser condenado a três anos de prisão no final do ano passado.

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