Conclave comunista testa liderança de Xi perante substituição de poderes

Paloma Almoguera

Pequim, 24 out (EFE).- O Partido Comunista chinês (PCCh) iniciou nesta segunda-feira seu conclave, uma prova de fogo para o presidente do país, Xi Jinping, que tenta blindar seu poder através de novas normas de disciplina enquanto começa a luta perante a substituição de poderes em 2017.

Sob a batuta de Xi, os cerca de 370 membros (permanentes e suplentes) do Comitê Central do PCCh (o terceiro órgão de maior poder do Partido, após o Politburo -25 componentes - e o todo poderoso Comitê Permanente -7 integrantes-) se reúnem até quinta-feira no hotel Jingxi, ao oeste de Pequim.

Transformado em epicentro da vida política chinesa nesta semana, o imóvel, vinculado ao Exército de Libertação Popular (ELP), se prepara para que os gerifaltes comunistas repassem sem sobressaltos a agenda do chamado sexto plenário do Comitê Central.

Uma agenda que neste ano corresponde à tradição de dedicar o sexto plenário do Comitê - de um total de sete realizados em cada uma das duas "legislaturas" de cinco anos do Governo Chinês - à "ideologia" e ao "reforço do Partido".

Assuntos pouco tangíveis aparentemente, mas que os especialistas advertem que não podem ser desprezados, sobretudo neste ano: trata-se do encontro mais importante do Partido até que no outono de 2017 seja realizado o XIX Congresso, no qual haverá mudanças significativas na composição dos principais órgãos de poder.

Então, cinco dos sete membros do Comitê Permanente (todos menos Xi e o primeiro-ministro, Li Keqiang) e um do Politburo devem se aposentar por terem ultrapassado os 68 anos, segundo dita uma regra não escrita do credo comunista, enquanto seis dos 25 assentos desse órgão passarão a ser disputados pelo Comitê Central.

É agora, segundo os analistas, quando começa a luta pelo poder e Xi tenta começar a posicionar seus aliados atacando, ou pelo menos amedrontando, seus oponentes de outras facções, em particular a de Xangai e a Liga de Juventudes (lideradas pelos ex-presidentes Jiang Zemin e Hu Jintao, respectivamente).

Para isso, Xi e seus correligionários submeterão à aprovação neste plenário dois documentos: uma espécie de código de conduta para os cargos comunistas e outro que revisa as formas de supervisão do Partido, com o pano de fundo da campanha anticorrupção empreendida por seu governo desde que saiu eleito do XVIII Congresso, em 2012.

O código, advertiu a agência oficial "Xinhua", será destinado sobretudo a altos cargos, incluindo os 25 do Politburo e os 7 do Comitê Permanente, que "terão que dar exemplo" na aplicação do documento, acrescentou hoje esse meio.

Muitos especialistas consideram que ambos documentos são na realidade uma advertência aos rivais de Xi para que se curvem à sua autoridade se não quiserem que o código seja utilizado contra eles, com mais de um milhão de pessoas "penalizadas" no marco da campanha anticorrupção desde 2013.

"Xi procura marginalizar (no sexto plenário) a facção de Xangai e a Liga de Juventudes", considerou Willy Lam, professor da Universidade China de Hong Kong em uma videoconferência na semana passada.

Lam não descarta que, para isso, o presidente promulgue normas que aplainem o caminho de seus aliados -e de quebra a ele no futuro-, como derrogar o assinalado limite de idade de 68 anos, idade de seu "czar" anticorrupção, Wang Qishan.

Embora as nomeações finais não serão discutidas neste plenário, as distintas facções já começam a jogar suas cartas. Assim, espera-se que saia uma lista preliminar de candidatos estrela e seja possível vislumbrar se Xi, como acreditam alguns, planeja ficar no poder por mais cinco anos.

Mas apesar da simples vista, o dirigente conta com a melhor mão para o controlar a campanha anticorrupção. Trata-se de uma faca de dois gumes: apesar de que por um lado lhe servir para eliminar seus oponentes, foi atingido por vários inimigos.

Xi conta com pelo menos duas oposições: os rivais das outras facções e os líderes provinciais, com grande peso e que normalmente ignoram os desejos de Pequim.

Ren Jianming, um dos maiores especialistas na campanha anticorrupção chinesa, acredita que, apesar da oposição com a qual conta o líder e os vaivéns da economia, o sexto plenário lhe será favorável e seu poder "será consolidado" no Congresso de 2017.

Assim será "porque não só conta com o alto reconhecimento do Partido, mas do povo", explicou à Agêmcia Efe,s descartando que Xi, de 63 anos, fique mais de dez anos: "acredito que tem poucas chances", disse Jianming.

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