Índia e Afeganistão unem esforços para denunciar Paquistão em cúpula asiática

Nova Délhi, 4 dez (EFE).- O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, denunciaram neste domingo, diante de líderes de cerca de 40 países, o suposto apoio do Paquistão a grupos insurgentes.

A Índia, anfitriã da cúpula com países do leste da Ásia, está envolvida desde setembro em uma grave crise diplomática com o histórico rival Paquistão, a quem acusa de patrocinar terroristas que atacaram o território indiano, um problema com o qual o Afeganistão disse também conviver.

"Apesar de nosso intenso compromisso com o Paquistão de forma bilateral e multilateral, a guerra não declarada, nome dado a este fenômeno de 2014, não só não se reduziu, mas se intensificou durante 2016", alertou Ghani durante discurso no evento.

Em um firme discurso diante de líderes e ministros das Relações Exteriores de cerca de 40 países, entre eles o chanceler do Paquistão, Sartaj Aziz, o presidente afegão denunciou que a resposta dos países contra o terrorismo foi "fragmentada" e que alguns deles ainda "apoiam redes terroristas".

"Como disse recentemente o mulá Rahmatullah Kakazada, uma das figuras-chave do movimento talibã, se eles não tivessem um santuário no Paquistão, não durariam um mês", completou Ghani.

Ghani citou os US$ 500 milhões doados pelo Paquistão para a reconstrução do Afeganistão e disse que a quantia "poderia ser bem utilizada para conter o extremismo".

O primeiro-ministro da Índia foi um pouco mais sutil em seu discurso, no qual pediu foco nos esforços na luta contra o terrorismo, mas também atuação firme contra "aqueles que os apoiam, abrigam, treinam e financiam".

Sem citar explicitamente o Paquistão, Modi alertou que a crescente expansão do terrorismo põe em perigo toda a região. Por isso, o apoio aos que fazem campanha pela paz no Afeganistão não é suficiente.

Os membros da cúpula concordaram que o extremismo e o terrorismo são os "desafios mais sérios" enfrentados pela região e se comprometeram a lutar juntos contra o problema através da "solidariedade e da ação coletiva".

"Sabemos que a radicalização de elementos alienados da população, especialmente os jovens, só pode ser evitada com estratégias que envolvam todos os países", disseram os líderes em nota conjunta.

No texto, além disso, chamaram os talibãs a iniciar negociações de paz com o governo de Cabul, um processo suspenso desde julho de 2015 após a divulgação da notícia da morte do fundador do grupo insurgente, mulá Omar, dois anos antes.

O conflito no Afeganistão se intensificou desde o fim da missão de combate da Otan em janeiro do ano passado, o que levou os talibãs a ganharem terreno em diferentes pontos do país até controlarem quase um terço do território total.

Antes da cúpula, Ghani e Modi realizaram uma reunião bilateral para discutir diferentes estratégias para aumentar a cooperação entre os países e acertaram levar adiante a ideia de um corredor aéreo de mercadorias, que começará a funcionar "em breve".

O mecanismo Coração da Ásia-Processo de Istambul nasceu em 2011 para promover a cooperação em segurança e economia entre o Afeganistão e a região. A cúpula é formada por Paquistão, Azerbaijão, China, Índia, Irã, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Arábia Saudita, Tadjiquistão, Turquia, Turcomenistão e Emirados Árabes Unidos.

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