Parlamento decreta "crise humanitária alimentícia" na Venezuela

Em Caracas

  • Ariana Cubillos/AP

    Pessoas fazem fila para comprar comida subsidiada pelo governo em supermercado em Caracas, na Venezuela

    Pessoas fazem fila para comprar comida subsidiada pelo governo em supermercado em Caracas, na Venezuela

A Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pela oposição ao governo de Nicolás Maduro, decretou nesta terça-feira (14) que o país vive uma "crise humanitária alimentícia", baseada em uma "crise social sem precedentes" que, segundo os deputados, afeta pelo menos 3 milhões de pessoas.

O texto da declaração, aprovado de maneira unânime pela oposição e com ausência da ala governista no Parlamento na votação, será enviado à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à ONU.

"O modelo econômico imposto pelo governo baseado no estatismo, expropriações arbitrárias, controles abusivos de preços e desprezo da iniciativa privada na economia só teve como resultado o colapso em níveis históricos da produção nacional", afirma o decreto.

Além disso, o documento indica que a inflação anual no país, dado que não é divulgado pelo Banco Central desde 2015, chegou a 700% e que a escassez de produtos básicos supera os 90%.

Ariana Cubillos/AP
Homem cozinha peles de galinha que encontrou em aterro em Puerto Cabello


"As más políticas econômicas e o estado crítico da produção nacional que elas ocasionaram geraram uma crise social sem precedentes, que se expressa em 82% dos lares das famílias pobres e no fato de 73% das pessoas estarem perdendo peso", diz o documento.

Segundo a declaração, graças às políticas de Maduro, 52% das crianças venezuelanas correm o risco ou sofrem de desnutrição. Além disso, 3 milhões de pessoas estariam se alimentando de "restos".

A declaração da crise humanitária alimentícia alega que a indústria agrícola sofre com a escassez de matérias-primas, o que também dificulta a atenção das necessidades da população.

No texto aprovado, os deputados criticam os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), que foram criados há quase um ano por Maduro para vender e distribuir alimentos básicos. Segundo o documento, os órgãos só atenderam 10% da população.

Ariana Cubillos/AP
Homem pega arroz que caiu de caminhão no porto de Puerto Cabello


"Os CLAP não atacam as causas da crise alimentícia ao serem um mecanismo baseado claramente nas importações de produtos que, além disso, propicia a corrupção", indicou o relatório.

Como parte do acordo parlamentar para aprovar o decreto, a Assembleia Nacional decidiu criar uma comissão especial que analisará as medidas que devem ser tomadas para impedir que a crise humanitária siga causando "prejuízos irreversíveis" ao país.

O grupo também identificará "fontes de cooperação internacional para combater a fome na Venezuela".

O texto também exige que Maduro substitua de "forma imediata" o ministro da Alimentação, Rodolfo Marco. Além disso, o coordenador nacional dos CLAP, Freddy Bernal, e o ministro da Agricultura Produtiva, Wilmer Castro Solteldo, foram convocados a prestar esclarecimentos à Assembleia Nacional.
 

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