Agricultores indianos se enterram até o pescoço para não perderem terras

  • EFE

    Manifestantes protestam contra a decisão do governo indiano de expropriar terras no Estado do Rajastão; 1.500 famílias de agricultores seriam afetadas com expropriação

    Manifestantes protestam contra a decisão do governo indiano de expropriar terras no Estado do Rajastão; 1.500 famílias de agricultores seriam afetadas com expropriação

Um grupo de agricultores indianos protestou nesta sexta-feira (6) pelo sexto dia consecutivo se enterrando até o pescoço para pressionar o governo local a voltar atrás em sua decisão de expropriar suas terras para construir uma área residencial.

Os agricultores, "22 homens e 25 mulheres", protestam desde 2 de outubro nos arredores da cidade de Jaipur, no estado de Rajastão, para evitar a desapropriação de 53,5 hectares, explicou à agência EFE o líder do protesto, Nagendra Singh.

Assim como os outros manifestantes, Singh está enterrado desde a segunda-feira (2) e não deixa seu buraco nem para dormir. Ele assegurou que os agricultores se viram obrigados a tomar esta medida desesperada depois que o governo local começou a desapropriar suas terras em 18 de setembro.

Segundo esse manifestante, as expropriações afetam 1.500 famílias de agricultores e os deixam sem sua "única fonte de rendimentos", pois os mesmos utilizam essas terras para seus cultivos e pastagem de "vacas e búfalos".

Diante da pressão, e depois que os agricultores aceitaram um intermediário nas negociações, o governo local propôs uma reunião na tarde desta sexta (6), mas o encontro acabou sendo cancelado, sem que fosse marcada uma nova data, disse Singh.

"Vamos dar um novo passo no nosso protesto, que será anunciado amanhã (7) pela manhã", afirmou o líder camponês.

A Índia, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, é um país substancialmente agrícola, onde cerca de 75% da população depende, segundo o Banco Mundial, deste setor, que, por sua vez, representa 17% do Produto Interno Bruto (PIB) do país asiático.

Em março, Nova Délhi também foi cenário de protestos inusitados de agricultores, que rasparam metade da cabeça e levaram rosários de caveiras depois que quase 500 camponeses se suicidaram atolados em dívidas pela seca.

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