Morre espião francês que capturou terrorista "Carlos, o Chacal"

  • Thierry Chiarello/Reuters

    Carlos, o Chacal, terrorista venezuelano, é julgado na França (8.nov.2011)

    Carlos, o Chacal, terrorista venezuelano, é julgado na França (8.nov.2011)

O general Philippe Rondot, ligado ao serviço de inteligência da França e responsável por organizar em 1994 a detenção no Sudão do terrorista venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, mais conhecido como 'Carlos, o Chacal', morreu aos 81 anos de idade, informaram neste domingo os veículos de imprensa franceses.

O general Rondot, que estava aposentado desde 2005, foi um dos homens-chave do serviço de inteligência francês nas últimas décadas, tanto na Direção Geral de Segurança Exterior (a espionagem no exterior, vinculada ao Ministério de Defesa) como na Direção de Vigilância do Território, ligada ao Ministério do Interior.

Especialista no mundo árabe, Rondot liderou durante quase 20 anos a investigação que tornou possível a detenção de 'Carlos' em Cartum em 1994 e sua entrega à França em 15 de agosto daquele ano.

Rondot conseguiu convencer o regime sudanês liderado pelo islamita Hassan Turabi para que detivesse e entregasse o terrorista quando este se encontrava em seu território para realizar uma operação em um testículo.

Em entrevista ao jornal "Le Figaro" em 2006, Rondot revelou que, um mês antes de deter 'Carlos', cruzou com ele de forma casual em um hotel em Cartum, o que lhe permitiu tirar fotos e estabelecer um dossiê com provas de que as autoridades sudanesas o estavam acobertando.

Após ameaçar o governo do Sudão com sanções da ONU, o general disse ter conseguido o apoio das autoridades do país africano para montar a operação de captura do terrorista, que atualmente cumpre várias penas de prisão perpétua em uma penitenciária francesa.

"No avião, quando sobrevoava o Cairo, telefonou para o (Palácio do) Eliseu (a sede da presidência francesa) e a (Charles) Pasqua (ministro do Interior na época) para dizer-lhes que tinha ele", o 'Chacal', acrescentou o general nessa entrevista, que depois foi apresentada por 'Carlos' como prova para uma denúncia contra Rondot por sequestro, que foi desconsiderada.

Até então, os franceses mal sabiam o nome do terrorista, e sobre sua aparência, havia apenas uma fotografia confusa em preto e branco.

"(Rondot) morreu como sempre quis viver: em segredo", disse à emissora "Europe 1" o ex-advogado do general, Éric Morain, que explicou que o funeral ocorreu no sábado, com máxima discrição, na pequena cidade de Flety, no leste da França.

Erudito e poliglota, Rondot - que escreveu vários livros sobre países do Oriente Médio - participou das negociações para libertar reféns no Iraque e no Líbano, mas sempre lamentou não ter conseguido salvar os sete monges trapistas assassinados por islamitas no mosteiro de Tihbirine, na Argélia, em 1996.

Rondot, no entanto, teve uma mancha em sua reputação após sua aposentadoria. Em 2006, seu nome apareceu envolvido no escândalo "Clearstream" que acabou com as ambições presidenciais do ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin.

O general disse que Villepin tinha lhe pedido que investigasse algumas personalidades, entre as quais estava seu companheiro de partido Nicolas Sarkozy, da lista de beneficiados das "comissões Clearstream", um suposto esquema de comissões ilegais em contratos de armamento que acabou se revelando uma armação.

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