Analistas falam de radiação após problema em zona de testes norte-coreana

Pequim, 25 abr (EFE).- Parte da montanha Mantap, na qual a Coreia do Norte realizou cinco testes nucleares, desabou depois do último teste conduzido em setembro de 2017, o que põe em risco de radiação vários países da região, advertiram especialistas chineses citados nesta quarta-feira pelo jornal "South China Morning Post".

O colapso parcial desta montanha de 2.100 metros de altura, situada no nordeste da Coreia do Norte e a cerca de 100 quilômetros da fronteira com a China, pôde ser a verdadeira razão pela qual o regime de Kim Jong-un anunciou na semana passada o fim dos testes nucleares e de mísseis, destacou ao jornal um desses especialistas.

Uma equipe da Universidade de Ciência e Tecnologia da China na cidade de Hefei (leste do país), liderada pelo geólogo Wen Lianxing, concluiu que o desabamento ocorreu após a detonação por parte da Coreia do Norte de uma bomba termonuclear em um túnel escavado 700 metros abaixo do cume da montanha.

O teste da bomba de 100 quilotons, em 3 de setembro do ano passado, foi mais potente que os quatro anteriores realizados nessa mesma localização (em 2006, 2009, 2013 e 2016), pulverizando com calor extremo as rochas das cercanias e criando um vácuo de 200 metros de diâmetro que acabou originando o desabamento.

Isto aconteceu a menos de meio quilômetro da cúpula e pode ser visto com clareza por imagens de satélite tiradas após o teste de setembro, determinou o estudo, que será publicado em breve na revista especializadas "Cartas de Investigação Geofísica".

A similares conclusões chegou outra equipe de cientistas na Administração Sismológica da China e sua agência em Jilin (a província nordeste chinesa mais próxima à zona dos testes), liderada por Liu Junqing.

O desabamento põe em risco a Coreia do Norte e países próximos como a China, Rússia e Coreia do Sul, já que teme-se que pó radiativo concentrado no interior da montanha após os diversos testes atômicos tenha sido liberado por causa do acidente, ajudado pelo vento.

Os analistas chineses suspeitavam deste possível acidente desde o outono, quando suas estações sismológicas mediram vários terremotos de baixa intensidade em zonas próximas à Coreia do Norte que fizeram pensar que a região tinha perdido estabilidade geológica.

Estes pesquisadores criticaram nos últimos anos passados a Coreia do Norte por testes que, segundo eles, aumentavam o risco de erupção do monte Changbai (chamado Paektu pelos coreanos), um vulcão em atividade que faz parte da fronteira entre os dois países e que é sagrado para a cultura coreana.

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