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Etiópia e Eritreia assinam declaração que põe "fim ao estado de guerra"

09/07/2018 08h32

Adis Abeba, 9 jul (EFE).- Eritreia e a Etiópia assinaram nesta segunda-feira uma declaração "de paz e de amizade" conjunta na capital do primeiro país, Asmara, na qual figura o fim "do estado de guerra que existia entre os dois países", segundo informou o Governo eritreu.

"O acordo, que se apoia em cinco pilares, foi assinado nesta manhã no Parlamento pelo presidente (eritreu) Isaias Afwerki e o primeiro-ministro (etíope) Abiy Ahmed", explicou o ministro de Informação da Eritreia, Yemane G. Meskel, em sua conta do Twitter.

Isaias e Abiy acordaram que "foi abertra uma porta para uma nova era de paz e amizade" e que "ambos países trabalharão para promover uma cooperação próxima nas áreas políticas, econômica, social, cultural e de segurança", segundo o ministro eritreu.

Além disso, serão implementadas decisões fronteiriças, o ponto que acabou com as relações diplomáticas assinadas em 2000 no Acordo de Argel, quando a Etiópia se negou a ceder à Eritreia a cidade de Badme.

Os dois líderes realizaram ontem em Asmara a primeira reunião em 20 anos, que terminou em um acordo para restabelecer as relações entre ambos países, que abrirão embaixadas em suas capitais.

Após um jantar oficial, os dois líderes abriram um novo capítulo de diplomacia que inclui a reabertura das linhas aéreas entre os dois países e o desenvolvimento conjunto dos portos eritreus, uma das prioridades para Abiy desde que chegou ao poder, já que planeja reativar a Marinha do país, e já tinha negociado com outros países da região como Somália e Djibuti para isso.

Líderes africanos, como o presidente queniano, Uhuru Kenyatta, e o ruandês, Paul Kagame, felicitaram os dois líderes por tomar o caminho do diálogo.

E o bloco de países que conforma a Autoridade Intergovernamental de Desenvolvimento (IGAD) elogiou hoje "a normalização de relações" que, "indubitavelmente, beneficiará os povos de ambos países".

A Eritreia se independentizou da Etiópia em 1993, mas as disputas fronteiriças levaram os dois países a uma guerra entre 1998 e 2000 que deixou dezenas de milhares de mortos em ambas as partes.

O Acordo de Argel, assinado em 2000 para concordar as linhas fronteiriças, estipula que as duas partes aceitem a decisão da Comissão de Fronteira da Eritreia e a Etiópia como "final e vinculativo".

No entanto, quando esta comissão decidiu conceder à Eritreia a cidade de Badme, epicentro da guerra, a Etiópia se retratou de seu compromisso e o então primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, afirmou que só aceitaria esse sentença "a princípio".

Desde então e até a chegada de Abiy ao cargo em abril, as relações entre estes dois países da África oriental não tinham avançado.

O Acordo de Argel é impopular na Etiópia, onde muitos cidadãos se sentem traídos pelo Governo depois que o país ganhou a guerra com a Eritreia, na qual o próprio Abiy combateu como membro de uma unidade de do Exército.

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