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ONU lança advertência e anuncia plano para combater discurso de ódio

18/06/2019 15h03

Nações Unidas, 18 jun (EFE).- O secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou nesta terça-feira um plano para "identificar, prevenir e confrontar" o discurso de ódio, que está sendo instigado por "alguns líderes políticos", tanto em democracias como em ditaduras.

"Tanto nas democracias liberais como nos regimes autoritários, alguns líderes políticos estão incorporando à linguagem habitual as ideias que alimentam o ódio, endurecendo o discurso público e debilitando o tecido social", advertiu Guterres na cerimônia de lançamento desta iniciativa.

O secretário-geral da ONU, que ressaltou que enfrentar o discurso de ódio "não deve se confundir nunca" com a supressão da liberdade de expressão, afirmou que as raízes deste fenômeno se alimentam da violência, da marginalização, da discriminação, da pobreza, da exclusão, da desigualdade, da falta de educação básica e da fraqueza das instituições do Estado.

"Vemos no mundo todo uma onda de xenofobia, racismo e intolerância, misoginia violenta, antissemitismo e ódio contra muçulmanos. Em alguns lugares, as comunidades cristãs são atacadas (...)", acrescentou.

A nova estratégia, segundo Guterres, promoverá a "educação como uma ferramenta preventiva que pode criar consciência e gerar um sentimento partilhado de propósito comum para abordar as sementes do ódio".

Como parte do plano, Guterres destacou que pretende organizar "uma conferência sobre o papel da educação para abordar e desenvolver a resiliência contra o discurso de ódio".

Entre os esforços da ONU, que a organização quer levar a todos os países onde está presente, está a identificação das pessoas que empregam esse discurso, assim como de quem está melhor preparado para fazer frente a elas.

"O plano de ação e a estratégia que as Nações Unidas estão lançando hoje é um programa ambicioso para coordenar os esforços através do sistema da ONU para identificar, prevenir e confrontar o discurso do ódio através de todos os meios ao nosso alcance", disse Guterres.

Neste sentido, o responsável da ONU espera que o plano possa "responder de maneira efetiva ao impacto do discurso de ódio nas sociedades".

O político português antecipou uma série de recomendações incluídas na iniciativa, como "convocar indivíduos e grupos com pontos de vista opostos, trabalhar com plataformas de meios tradicionais e sociais, participar de atividades de promoção e desenvolver guia de comunicação para resistir às tendências e campanhas do discurso de ódio".

Guterres, que reconheceu que a tecnologia digital proporcionou ao discurso do ódio novas áreas nas quais poder prosperar e se expandir, também ressaltou que esta tecnologia pode ajudar a monitorar essa atividade, orientar as respostas e gerar apoio às narrativas contra o ódio.

Além disso, advertiu que este discurso de ódio representa um ataque à tolerância, à inclusão, à diversidade e à essência dos direitos humanos e lembrou que está chegando a cada vez mais audiências "na velocidade de um raio" através de novos canais.

Por isso, convocou tanto a ONU, como os governos, as empresas tecnológicas e as instituições educativas "a dar um passo à frente" para responder a esse fenômeno. EFE

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