Grupo católico pede que papa permita métodos contraceptivos para combater zika

Philip Pullella

Na Cidade do Vaticano

  • Max Rossi/Reuters

Um grupo católico fez um apelo nesta quarta-feira (10) para que o papa Francisco autorize integrantes da Igreja a "seguir a sua própria consciência" e usar métodos contraceptivos ou que deixasse as mulheres realizarem abortos para se proteger do zika vírus.

O apelo foi feito no momento em que a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomendou que as mulheres em áreas com o vírus se protegessem, especialmente durante a gravidez, se cobrindo para evitar os mosquitos e praticando sexo seguro com os seus parceiros.

O zika tem sido ligado a casos de má-formação craniana em milhares de bebês nascidos no Brasil, e o vírus tem se espalhado rapidamente pelas Américas. O primeiro caso conhecido de zika nos Estados Unidos foi relatado na semana passada por autoridades locais de saúde, que disseram que havia sido provavelmente contraído via relação sexual, e não por picada de mosquito.

O grupo liberal Catholics for Choice, com sede em Washington, disse em comunicado que publicaria anúncios na edição internacional do "New York Times" e no "El Diario de Hoy" de El Salvador na quinta-feira (11), véspera de uma viagem do papa para Cuba e México.

"Quando você viajar amanhã (sexta-feira) para a América Latina, nós pedimos que você deixe claro para os seus irmãos bispos que bons católicos podem seguir a sua consciência e usar métodos contraceptivos para proteger a si e a seus parceiros", diz o texto do anúncio, de acordo com trechos divulgados por um comunicado.

O movimento pediu ao papa Francisco, o primeiro papa latino-americano, para "se posicionar realmente de forma solidária com os pobres".

"As decisões das mulheres sobre gravidez, inclusive a decisão de terminar com a gravidez, precisa ser respeitada, e não condenada", disse.

A Igreja Católica ensina que a vida começa no momento da concepção, e que o aborto é assassinato. A Igreja proíbe métodos contraceptivos artificiais como preservativos, alegando que eles bloqueiam a possível transmissão de vida.

A proibição é amplamente ignorada em muitos países avançados, mas ativistas dizem que ainda há o estigma relacionado ao controle de natalidade em alguns países da América Latina.

Em 2010, o ex-papa Bento 16 afirmou num livro que o uso de preservativos para conter a Aids poderia ser justificado em certos casos excepcionais. O Vaticano até agora não tratou do tema em relação ao zika vírus.

No seu anúncio nesta quarta-feira, a OMS afirmou: "Mulheres que desejam terminar a gravidez por causa do medo da microcefalia devem ter acesso a serviços de aborto seguros dentro da lei".

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