Autoridades alemãs querem rever leis de armamento após ataque em Munique

Andrea Shalal

Em Berlim

Autoridades alemãs pediram neste domingo (24) uma revisão das restritas leis de armamento do país, após o tiroteio letal de sexta-feira (22) em Munique que causou a morte de nove pessoas e do atirador, um jovem 18 anos de idade com problemas mentais, que estava obcecado com assassinatos em massa.

"O controle de armas é uma questão importante. Temos de continuar fazendo todo o possível para limitar e controlar rigorosamente o acesso a armas letais", disse o vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel, líder do partido de centro-esquerda Democratas Sociais, ao Funke Mediengruppe, grupo dono de uma série de jornais alemães.

Segundo Gabriel, as autoridades alemãs estavam investigando como o alemão de dupla cidadania (também era iraniano) havia obtido acesso ilegal à arma - identificada pela polícia como uma pistola Glock 17 de 9 milímetros, a mais utilizada no mundo - apesar dos aparentes sinais de significativos problemas psicológicos.

"É evidente que teremos de discutir num futuro próximo sobre se as leis atuais de controle de armas são suficientes", disse o parlamentar alemão Stephan Mayer, um porta-voz dos conservadores da chanceler Angela Merkel, dominantes no Parlamento.

"A maior prioridade é combater o comércio ilegal de armas, uma vez que também poderia reduzir a criminalidade e o terrorismo", disse ele em um comunicado neste domingo.

O atirador, nomeado pela imprensa alemã como Ali David Sonboly, abriu fogo perto de um movimentado shopping center na sexta-feira à noite, matando nove pessoas e ferindo mais 35, antes de virar a arma contra si mesmo quando a polícia se aproximou.

Atirador de Munique era alemão de origem iraniana

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O tiroteio de Munique foi o terceiro ato de violência contra civis na Europa Ocidental --e o segundo no sul da Alemanha-- em oito dias. Autoridades disseram que não há sinal de qualquer relação deste caso a grupos extremistas islâmicos.

O ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, disse em entrevista ao Bild am Sonntag que pretendia rever as leis alemãs de armamento após o ataque e buscar melhorias quando necessário.

De acordo com ele, as leis alemãs de armamento já são rigorosas e adequadas e foram fundamentais para entender como o atirador obteve acesso à pistola usada. "Então, temos que avaliar com muito cuidado se e onde são necessárias novas alterações legais", disse ele em uma entrevista publicada neste domingo.

Mayer e Maiziere também citaram o atual debate na União Europeia sobre um pacote de reformas que visa apertar o controle de armas no bloco e tornar mais fácil rastrear a origem das armas compradas legalmente.

As mudanças propostas, que ainda devem ser aprovadas pelos Estados-Membros da UE, também definiriam regras mais rigorosas para tirar de circulação armas ativas e, depois de desativá-las, torná-las disponíveis para a venda como decoração.

Os Estados-Membros têm critérios diferentes para o que constitui ou não uma arma desativada, uma brecha legal explorada por criminosos para importar armas modificadas superficialmente para aparentar não funcionar.

A Glock 17 usada pelo atirador de Munique, que a polícia disse ter o número de série arquivado, era uma arma "reativada" da Eslováquia, informou neste domingo o jornal Sueddeutsche Zeitung, citando fontes policiais. De acordo com o jornal, Sonboly obteve a arma pela internet.

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