PUBLICIDADE
Topo

Premiê francês anuncia reabertura quase total da França nos dias 2 e 22 de junho

25.mai.2020 - Pessoas caminham e relaxam à beira do rio Sena, em Paris, na França - Edward Berthelot/Getty Images
25.mai.2020 - Pessoas caminham e relaxam à beira do rio Sena, em Paris, na França Imagem: Edward Berthelot/Getty Images

28/05/2020 13h12

O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, anunciou hoje a segunda etapa do plano de suspensão do isolamento adotado na França para combater a epidemia do coronavírus. As principais medidas são a reabertura de parques e jardins em todo o território, de restaurantes e cafés sob condições ainda restritas em algumas áreas do país, a partir da terça-feira, 2 de junho.

"Os resultados são bons no plano sanitário, embora tenhamos de permanecer cautelosos", disse o primeiro-ministro.

Todas as regiões do país estão "verdes" — o que significa pequena circulação do vírus, testes de diagnóstico disponíveis e baixa ocupação de leitos de UTI —, à exceção de três departamentos que passaram do "vermelho" para "laranja": Val-d'Oise, em Île de France, onde fica a capital, e dois territórios ultramarinos, a Guiana Francesa, na fronteira com o Brasil, e Mayotte, no oceano Índico.

Nas últimas três semanas, desde a adoção da primeira etapa de flexibilização do confinamento, em 11 de maio, a França tinha quatro regiões pintadas de "vermelho" para o coronavírus.

A partir de 2 de junho, "a liberdade se tornará a regra e a proibição a exceção", disse o primeiro-ministro. "A taxa de propagação da epidemia está, neste momento, sob controle", declarou o premiê, lembrando que a covid-19 matou 28.600 pessoas no país.

"Estamos em uma situação um pouco melhor do que esperávamos", acrescentou o chefe do governo. Mas Philippe destacou que a França "terá de lutar contra o impacto de uma recessão histórica", lembrando que mais 800 mil pessoas perderam o emprego em abril.

Segundo o ministro da Saúde, Olivier Verán, apenas 1,9% das pessoas testadas atualmente dão resultado positivo para o coronavírus. Verán garantiu que a França tem plena capacidade atualmente para testar a população, tendo superado a carência de testes. A taxa de positividade permanece, portanto, baixa.

Uma das medidas mais aguardadas pelos franceses era quanto à reabertura de cafés e restaurantes. Nas zonas verdes, todos os estabelecimentos poderão voltar a funcionar no dia 2 de junho. Clientes e pessoal terão de usar máscaras de proteção facial e o número de clientes por mesa não poderá exceder dez pessoas. Porém, nas áreas laranja, incluindo a região parisiense, apenas os cafés e restaurantes que dispõem de terraços e áreas externas poderão receber novamente os clientes a partir da semana que vem.

Uma terceira etapa de flexibilização está prevista para 22 de junho, quando todos os cinemas do país poderão voltar a funcionar.

O premiê também anunciou que, para as zonas verdes, piscinas, academias de ginástica, parques de diversões, salas de espetáculos e teatros poderão reabrir em 2 de junho. Nas zonas laranja, o que inclui Paris e sua região metropolitana, esses estabelecimentos terão de aguardar a terceira fase, em 22 de junho.

Viagens

As arbitragens foram realizadas na manhã de quinta-feira durante uma reunião do Conselho de Defesa. A regra que limitava os deslocamentos dos franceses a uma distância máxima de 100 km do domicílio foi revogada. O primeiro-ministro já havia dito na semana passada que os franceses podiam providenciar reservas para as férias de verão dentro do território.

Quanto a viagens para outros países da União Europeia, a reabertura das fronteiras internas do bloco será definida no dia 15 de junho. A França vai defender a abertura das fronteiras internas para facilitar as viagens durante o verão.

O ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, anunciou durante a coletiva a reabertura de todas as escolas e colégios do país a partir de 2 de junho. Os estabelecimentos terão de respeitar medidas de distanciamento social e receberão, num primeiro momento, um número reduzido de alunos.

Poucos minutos antes do anúncio do governo, o site da prefeitura de Paris já anunciava que as praças, jardins e parques da capital serão reabertos a partir de 2 de junho. O comunicado informa que os parques Buttes-Chaumont estará novamente acessível ao público a partir da próxima terça-feira, das 7h às 22h, bem como o Jardim das Tulherias, entre o Museu do Louvre e a Praça da Concórdia, que será reaberto aos visitantes 24 horas por dia a partir da mesma data.

A abertura dos parques e jardins de Paris foi objeto de uma amarga batalha entre a prefeita da capital, a socialista Anne Hidalgo, que era a favor da medida desde a suspensão do confinamento, no dia 11 de maio passado. Porém, o governo recusou a solicitação de Hidalgo, argumentando que Paris estava classificada em uma zona "vermelha", que representava alto risco de contágio. Muitas vozes da oposição, alguns deputados da maioria governista e vários médicos também eram favoráveis à reabertura precoce dos parques e jardins da capital, pois viam um risco maior de contaminação em locais fechados, como os pequenos apartamentos da capital.

Desde 11 de maio, quando a primeira etapa de flexibilização das medidas de restrição foram adotadas, a França registra um declínio contínuo no número de pacientes graves em terapia intensiva (1.501 na quarta-feira (27), 54 a menos que no dia anterior). Desde o início de março, o vírus Sars-CoV-2 matou 28.596 pessoas (+66 em 24 horas). Quase a metade dos mortos são idosos que residiam em casas de repouso e e outros estabelecimentos. "A circulação do vírus diminuiu bastante", de acordo com as primeiras conclusões do dispositivo de rastreamento do sistema de saúde.

Coronavírus