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Roland Garros 2020 desanima comerciantes com restrições e menos público

Diferentemente de 2019, público será reduzido em Roland Garros de 2020; etapa de qualificações acontecem de portões fechados em Paris - Adam Pretty/Getty Images
Diferentemente de 2019, público será reduzido em Roland Garros de 2020; etapa de qualificações acontecem de portões fechados em Paris Imagem: Adam Pretty/Getty Images

08/09/2020 13h57

O Torneio de Roland Garros teve que se adaptar para que ocorra no dia 27 de setembro em Paris, na França, com restrições da pandemia de coronavírus.

A competição dividiu seu espaço de 12 hectares em três áreas diferentes e hermeticamente separadas. As grandes quadras - Philippe Chatrier e Suzanne Lenglen só poderão acolher 5.000 pessoas cada, e a nova quadra Simonne Mathieu, 1.500, limitando assim o público diário a 11.500 pessoas, quase metade dos 20.000 habituais.

A redução no público foi anunciada em julho. Hoje, a tenista número 1 do mundo, a australiana Ashleigh Barty, declarou que não comparecerá a esta edição por medo do novo coronavírus.

As novidades deixaram os comerciantes do local desanimados, com eles afirmando que não esperam "nada" das vendas ligadas à competição deste ano.

Diferentemente dos anos anteriores, em que o bairro de Auteuil ficava decorado com o tema do torneio, este ano, a pouco mais de duas semanas da abertura oficial, não há sinais que mostrem que estrelas como Rafael Nadal, Serena Williams e Novak Djokovic passarão por aqui.

A reportagem da RFI foi até Roland Garros, que está fechado para visitas — incluindo o museu e a loja oficial, que ficam dentro do espaço — e ainda em reformas, e depois percorreu a maioria dos restaurantes na rua d'Auteuil, no 16º distrito de Paris, para saber o que os gerentes, garçons e responsáveis dos estabelecimentos próximos ao templo do tênis francês esperavam desta edição "diferente" do torneio. As respostas não variavam muito: a expectativa é baixa, quase nula.

'Eu temo o pior'

Laurent é garçom e barman do restaurante "Le Congrès Auteil" há 29 anos e, já tendo acompanhado tantas edições de Roland Garros de perto, se mostra pessimista em relação a este ano.

"A gente já tem menos movimento nos últimos anos, quando limitaram o vai e vem das pessoas, mas agora, com menos turistas, eu temo o pior", lamenta.

"Há seis anos (antes dos atentados de 2015), a gente trabalhava como máquinas na época de Roland Garros, servíamos mais de 400 refeições por dia. Depois da mudança, em que os espectadores são obrigados a comer por lá mesmo, caiu para 270 refeições na época do torneio", explica ele.

Para a diretora do restaurante, Cristelle, que disse estar acostumada a colocar todo o seu staff "em pé de guerra" para encarar as três semanas do torneio, este ano a resposta é lacônica: "Eu realmente não sei, não tenho expectativas".

Acostumado em ter uma alta de lucros de cerca de 15% durante a segunda semana da competição — depois das qualificações — Mickael, gerente do restaurante Village d'Auteuil, também diz não ter nenhuma expectativa para este ano: "Não vai ter um bom público", resume.

Do outro lado da rua, no restaurante "Le Fétiche", que fica também em frente a uma saída do metrô por onde chega o público de Roland Garros, o garçom Armand, que trabalha no local há 23 anos e é fã do tenista brasileiro Gustavo Kuerten, resume o que espera este ano: "O torneio nem começou e a gente já está perdendo".

Mesma sensação tem o taxista Hakim, que trabalha há sete anos no ponto de táxi da "Porta de Auteuil", a poucos metros das quadras.

"Sem americanos, japoneses e chineses eu não tenho corridas especiais ligadas ao torneio. Italianos e espanhóis não são consumidores de corridas de táxi", lamenta.

Qualificação a portas fechadas

Uma outra novidade anunciada este ano foi a decisão de não ter público para os primeiros dias, a chamada semana de qualifying que garante vagas na competição oficial.

Quem entra no site oficial vê indicado como datas do evento de 21 de setembro a 11 de outubro, mas o diretor de Roland Garros, Guy Forget, anunciou que foi feita uma adaptação do plano inicial e a primeira semana ocorrerá a portas fechadas.

A informação pegou de surpresa o professor de tênis Jean-Claude Saka, morador de Boulogne-Billancourt, cidade a oeste de Paris.

Ele chegava na manhã de hoje para um torneio nas quadras anexas quando descobriu, pela reportagem, que os ingressos que havia comprado para o qualifying serão reembolsados.

"Eu assisto aos torneios há 45 anos, bem que eu estranhei que este ano, a duas semanas do início, ainda esteja tudo fechado, em reforma", disse ele ainda meio incrédulo de não poder assistir às qualificações — que este ano acontecem de 21 a 25 de setembro — como tem feito nas últimas quatro décadas.

Para quem já comprou os ingressos, a organização avisa: "Roland-Garros vai agora contatar os titulares dos ingressos para lhes explicar as novas condições e oferecer-lhes as providências necessárias de acordo com os seus desejos", detalha Jean-François Vilotte, diretor geral da FFT (Federação Francesa de Tênis), organizadora do evento.

No total, em 15 dias de competição, são esperados menos de 150 mil espectadores, apenas um quarto dos cerca de 520 mil recebidos em 2019 durante a quinzena parisiense.

Concretamente, as receitas do torneio serão reduzidas pela metade, estima o seu diretor Guy Forget, o que corresponde a cerca de 140 milhões de euros — aproximadamente R$ 879 milhões.

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