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Lockdown de um mês não controlará covid-19, alerta Conselho Científico francês

28.out.2020 - Clientes de um café em Paris assistem ao pronunciamento do presidente Emmanuel Macron, que anunciou lockdown de um mês por causa da covid-19  - Martin Bureau/AFP
28.out.2020 - Clientes de um café em Paris assistem ao pronunciamento do presidente Emmanuel Macron, que anunciou lockdown de um mês por causa da covid-19 Imagem: Martin Bureau/AFP

29/10/2020 06h04

O presidente do Conselho Científico da França, Jean-François Delfraissy, disse hoje que um mês de lockdown será "insuficiente" para controlar a epidemia da Covid-19 no país nos próximos meses. As festas de fim de ano também devem ser afetadas. A medida, anunciada pelo presidente francês, Emmanuel Macron ontem, entra em vigor amanhã.

O objetivo do governo é diminuir o número de contaminações diárias de 40 mil para 5 mil. Para isso, o presidente do Conselho Científico, que guia o governo em suas decisões sanitárias, acredita que um novo toque de recolher, até janeiro, será necessário após o fim do lockdown, previsto para terminar em 1º de dezembro.

Questionado sobre como os franceses poderão celebrar o Natal, Delfraissy declarou que "as festas de fim de ano serão diferentes, em pequenos grupos. "Nós teremos de 15 dias a três semanas extremamente difíceis nos hospitais, em diferentes regiões da França", afirmou.

Para o representante do Conselho Científico, a decisão anunciada por Macron é adequada diante da grave na França. Nas últimas 24 horas, o país registrou 36,4 mil novos casos de contaminação pelo coronavírus e 244 pessoas morreram vítimas da covid-19, de acordo com os dados publicados pelo Ministério de Saúde francês ontem.

O ministro da Saúde francês, Olivier Véran, disse hoje que a França ainda pode enfrentar uma "terceira onda" da doença, apesar do lockdown. Ele também declarou que o contexto sanitário afetará as festas de final de ano. "Não podemos excluir o fato de que o vírus continua a circular. Os Estados Unidos estão vivendo uma terceiro onda", disse à rádio France Info. Ele acredita que um milhão de pessoas sejam portadoras do vírus na França atualmente.

Uma onda mais difícil e mais mortal

Durante o pronunciamento de cerca de 20 minutos feito na TV na noite de ontem Macron afirmou que a nova crise de coronavírus pegou a Europa de surpresa por sua rapidez e deve ser mais grave que a vivida em março.

"O vírus circula na França a uma velocidade que nem sequer os prognósticos mais pessimistas tinham previsto", disse o presidente francês Emmanuel Macron, em um pronunciamento transmitido pela televisão. A segunda onda "sem dúvida será mais difícil e mortal do que a primeira", que deixou 30 mil mortos, acrescentou o presidente.

O chefe de Estado francês anunciou o início do lockdown nacional a partir da madrugada desta sexta. Bares, restaurantes e estabelecimentos comerciais não essenciais vão fechar. Mas diferentemente do confinamento de dois meses, imposto entre março e maio, as escolas vão permanecer abertas.

Os detalhes exatos sobre esse segundo confinamento serão dados no final da tarde de hoje pelo primeiro-ministro, Jean Castex. Algumas medidas já foram antecipadas: a máscara será obrigatória a partir dos seis anos nas escolas e o home-office "generalizado" será instaurado nas empresas.

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