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Vacinação contra covid-19 chega a consultórios médicos e empresas na França

Esse público receberá a vacina da AstraZeneca/Oxford, considerada 70% eficaz contra a forma grave da covid-19 - Divulgação
Esse público receberá a vacina da AstraZeneca/Oxford, considerada 70% eficaz contra a forma grave da covid-19 Imagem: Divulgação

25/02/2021 06h15

Em meio à escassez de doses de vacina contra o coronavírus, a França inicia hoje a vacinação em consultórios médicos e empresas. Trinta mil clínicos-gerais, que desempenham um papel de médicos de família no sistema de saúde francês, poderão vacinar a partir de hoje pacientes de 50 a 64 anos que sofrem de patologias crônicas, como câncer, diabetes, doenças cardíacas e pulmonares.

Esse público receberá a vacina da AstraZeneca/Oxford, considerada 70% eficaz contra a forma grave da covid-19, inclusive contra a variante inglesa que se propaga rapidamente no território francês. Por outro lado, o grau de proteção desse imunizante contra a variante sul-africana do vírus, que representa 4% a 5% das contaminações na França, é bem mais baixo — entre 10% e 20%.

Médicos do trabalho também vacinarão em função das doenças crônicas dos empregados e em caráter voluntário, mas o pessimismo da imprensa em relação a essa nova etapa da campanha de vacinação é o pequeno número de doses disponíveis. Cada médico receberá apenas um frasco do imunizante da AstraZeneca, que contém dez doses, destaca o jornal Les Echos.

Em seu editorial, o Libération adverte: "Não sejamos ingênuos: o número de contaminações segue elevado e apenas uma campanha de vacinação bem organizada poderia salvar futuras vítimas".

O jornal critica o atraso na compra de vacinas pela União Europeia, que ficou negociando preços baixos e agora enfrenta a concorrência de outros países que foram mais ágeis nas encomendas. Resultado: as autoridades francesas não têm muito mais a fazer e são obrigadas a compor com essas circunstâncias.

Instituto Pasteur otimista, apesar da escassez de vacinais

O Instituto Pasteur divulga hoje dois estudos sobre a epidemia e abre um espaço online dedicado aos seus modelos matemáticos de projeção das contaminações. Em entrevista ao Les Echos, o especialista Simon Cauchemez explica os efeitos cruzados da progressão das variantes e da vacinação. Ele afirma que "a vacinação na França é rápida o suficiente para ter impacto nas hospitalizações".

Na fase atual, a vacinação não vai diminuir o número de pessoas infectadas, mas como prioriza os mais vulneráveis, rapidamente haverá resultados nas hospitalizações. O especialista do Instituto Pasteur diz que se a França vacinar até 1° de abril 70% da população com mais de 75 anos, o número de pacientes internados irá cair 28%. Em 1º de maio, a queda nas hospitalizações poderá chegar a 46%, um avanço considerável no combate à epidemia.

Até lá, as autoridades terão de controlar as contaminações com lockdowns regionais. A França tem atualmente dez áreas sob forte vigilância, nas quais a incidência do vírus é de cerca de 300 pessoas por 100.000 habitantes.

É o caso da região parisiense e de departamentos do norte, leste e sudeste. O primeiro-ministro Jean Castex dará um entrevista coletiva no fim da tarde desta quinta e poderá anunciar novas restrições nessas localidades. A região metropolitana de Dunquerque, no norte, e dos Alpes Côte d'Azur, onde fica Nice, já foram submetidas a lockdowns nos fins de semana, além do toque de recolher em vigor diariamente das 18h às 6h.

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