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Aluna que motivou decapitação de professor francês reconheceu ter mentido

20.out.2020 - Parentes e amigos seguram uma foto do professor Samuel Paty; ele foi decapitado em um atentado que chocou a França - Bertrand Guay/AFP
20.out.2020 - Parentes e amigos seguram uma foto do professor Samuel Paty; ele foi decapitado em um atentado que chocou a França Imagem: Bertrand Guay/AFP

08/03/2021 07h50

Ao que tudo indica, o professor Samuel Paty foi assassinado devido a uma mentira proferida por uma aluna. É o que afirma o jornal francês "Le Parisien", que teve acesso ao depoimento que a adolescente deu à polícia e revela, nesta segunda-feira (8), que a garota fez uma denúncia caluniosa.

"Essa é uma realidade tão cruel quanto revoltante: Samuel Paty morreu decapitado por causa de uma mentira ridícula de uma aluna de 13 anos", diz o jornal "Le Parisien". De acordo com as informações obtidas pelo diário, a adolescente que deu início à polêmica que resultou no assassinato do professor de História em outubro do ano passado, reconheceu ter mentido.

Diante do juiz antiterrorismo, em 25 de novembro, ela voltou atrás em seu primeiro depoimento, que data de 8 de outubro. Após vários interrogatórios, a jovem admitiu que não estava na escola durante a fatídica aula que Samuel Paty ministrou sobre liberdade de expressão. Na ocasião, o professor exibiu caricaturas polêmicas do profeta Maomé publicadas nos últimos anos pelo jornal satírico "Charlie Hebdo".

A jovem provocou um forte escândalo na escola de Conflans-Sainte-Honorine, na periferia de Paris, ao acusar Paty de islamofobia. Ela primeiramente contou ao pai e depois à polícia que o professor exigiu que os alunos muçulmanos saíssem da classe durante a apresentação. Em sua primeira versão dos fatos, a garota disse que se recusou a deixar a sala de aula e, após um bate-boca com Paty, foi expulsa.

Indignado, o pai da garota fez um vídeo em que relatou o caso, em outubro do ano passado. Na gravação que viralizou nas redes sociais, o professor foi chamado de "bandido", e o número de seu telefone celular e o endereço da escola foram revelados. Uma denúncia foi registrada na polícia contra Paty por "difusão de imagens pornográficas" e ele chegou a depor sobre a polêmica.

Em outubro, a reportagem da "Franceinfo" teve acesso ao interrogatório do professor que ocorreu quatro dias antes de ser decapitado por um islamita radical. Na época, Paty declarou que estava sendo vítima de uma mentira e já havia relatado que a jovem não estava na aula quando as caricaturas foram exibidas.

"Ela inventou uma história através de rumores de colegas. Trata-se de uma falsa declaração com o objetivo de prejudicar a imagem do professor que eu represento, da escola e da educação como instituição", afirmou o professor, segundo a transcrição à qual a "Franceinfo" teve acesso.

Revisão da denúncia

Nesta segunda-feira, o "Le Parisien" revelou que, de fato, a garota revisou sua versão dos fatos e admitiu que estava ausente no dia da aula sobre liberdade de expressão. Colegas da adolescente confirmaram a informação e reiteraram também que Paty não forçou nenhum estudante muçulmano a sair da classe.

Ao contrário, antes de mostrar as caricaturas, o professor advertiu que se os jovens ficassem chocados com as imagens, poderiam fechar os olhos.

O jornal francês afirma que, no final de novembro, a adolescente, que estava sob custódia da polícia, foi informada sobre o depoimento dos colegas. Em um novo interrogatório, em 23 de novembro, ela teria dito que eles estavam mentindo.

Mas, dois dias depois, quando os investigadores resolveram sondar a garota sobre os possíveis motivos por trás da denúncia de islamofobia, ela decidiu se retratar: "Eu menti sobre uma coisa", declarou.

De fato, a jovem não estava presente durante a aula sobre liberdade de expressão porque cumpria uma expulsão. Os policiais se perguntam se a estudante teria inventado o relato para se sentir valorizada pelo pai.

A garota tem em seu histórico escolar uma série de ausências e exclusões por comportamento insolente, enquanto a irmã gêmea tem uma boa performance e é vista como um exemplo pela família. "Uma confissão que denota um contexto familiar difícil", publica o "Le Parisien".

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