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Espancamento de árabe agrava escalada da violência entre israelenses e palestinos

Família e amigos, incluindo soldados israelenses, choram sobre o caixão coberto pela bandeira do soldado israelense Omer Tabib, que foi morto durante combates na fronteira com Gaza, em seu funeral em Eliakim, Israel - Avishag Shar-Yashuv/Reuters
Família e amigos, incluindo soldados israelenses, choram sobre o caixão coberto pela bandeira do soldado israelense Omer Tabib, que foi morto durante combates na fronteira com Gaza, em seu funeral em Eliakim, Israel Imagem: Avishag Shar-Yashuv/Reuters

13/05/2021 07h16Atualizada em 13/05/2021 08h19

A cena foi transmitida ao vivo na televisão israelense na noite de ontem. Um grupo de judeus de extrema-direita linchou no meio da rua um árabe israelense que está em estado grave.

Durante toda a madrugada de hoje os confrontos continuaram com ataques israelenses contra a Faixa de Gaza e tiros de foguete do movimento radical palestino contra Israel. Ao menos 90 pessoas morreram e centenas ficaram feridas desde segunda-feira (10).

As sirenes de ataques aéreos voltaram a soar cedo na manhã de hoje nas cidades israelenses na fronteira com a Faixa de Gaza.

A multiplicação de tiros de foguetes contra Israel levou as autoridades a desviarem esta manhã todos os voos em direção ao aeroporto internacional Ben Gourion de Tel-Aviv.

Os confrontos entre os grupos armados palestinos na Faixa de Gaza e Israel começaram na segunda-feira e são os combates mais intensos desde a guerra de 2014.

O movimento Hamas, que controla a Faixa de Gaza, anunciou ontem uma salva de 130 foguetes contra o território israelense, elevando para 500 o número de projéteis disparados do enclave palestino desde a retomada do conflito. O Hamas advertiu que o novo ataque é uma resposta à destruição de um grande edifício de cerca de dez andares em Gaza, que abrigava, entre outros, os escritórios da emissora de TV local Al Qods.

O último balanço de vítimas informa que a maioria das vítimas é palestina. Ao todo, 83 pessoas morreram na Faixa de Gaza, sendo 17 crianças, informou o Hamas nesta manhã. Do lado israelenses, foram 7 mortos, entre eles um soldado e um menino de cinco anos.

O Hamas admitiu a morte de vários de seus comandantes, entre eles Bassem Issa, líder de seu braço militar na Cidade de Gaza.

Tumultos em cidades árabes-judaicas

O governo israelense enfrenta uma nova "frente" de conflito com eclosão de tumultos em cidades israelenses árabes-judaicas. A televisão israelense transmitiu na noite desta quarta-feira imagens chocantes de uma multidão de judeus ortodoxos e de extrema-direita espancando um homem - que consideravam um árabe - até ele ficar inconsciente em uma rua em Bat Yam, perto de Tel Aviv.

"A vítima do espancamento está gravemente ferida, mas estável", afirmou uma fonte médica.

A tensão também explodiu em Lod, que tem 40% da população árabe. O presidente israelense, Reuven Rivlin, chamou os distúrbios de "pogrom" por parte de "uma multidão árabe sedenta de sangue".

Netanyahu declarou estado de emergência na cidade. Alguns observadores temem que os distúrbios civis se intensifiquem. Em várias cidades mistas do país, manifestantes com bandeiras palestinas incendiaram carros e propriedades, atacaram motoristas e enfrentaram a polícia. Cerca de 370 pessoas foram presas após meia-noite, segundo a polícia.

A atual onda de violência teve origem nos distúrbios do fim de semana na Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do Islã, em Jerusalém oriental, anexado por Israel em 1967.

Biden conversa com Netanyahu

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, conversou ontem por telefone com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

"Tenho esperança de que a situação se resolva o quanto antes, mas Israel tem o direito de se defender quando milhares de projéteis são lançados contra o seu território", disse Biden na Casa Branca.

Pouco antes da conversa, os Estados Unidos anunciaram o envio de um emissário a Israel e aos territórios ocupados. Hady Amr, funcionário do Departamento de Estado a cargo dos assuntos israelenses e palestinos, vai tentar buscar vias de conciliação entre os líderes de ambas as partes e "uma desescalada da violência", anunciou o chefe da diplomacia americana, Anthony Blinken.

O chanceler americano também conversou por telefone com Netanyahu e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

"O secretário de Estado reiterou seu apelo a todas as partes para reduzir a tensão e pôr fim à violência", diz a nota, acrescentando que ele também "enfatizou a necessidade de israelenses e palestinos viverem com segurança" e "desfrutarem de liberdade, segurança, prosperidade e democracia igualmente".

Este foi o primeiro contato de alto nível entre Estados Unidos e os palestinos desde que Biden assumiu o cargo em janeiro. O cientista político francês, Pascal Boniface, diretor do IRIS (Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas), entrevistado pela RFI, aponta que o conflito israelo-palestino não era uma prioridade do atual presidente dos Estados Unidos.

"Agora, Biden foi envolvido pela atualidade e não pode ficar fora disso. Ao contrário de Trump, ele não ficará unilateral e incondicionalmente ao lado de Israel. Os Estados Unidos podem até aceitar um certo grau de violência. Em 2009 e 2014, a linha vermelha foi ultrapassada com duas mil mortes entre os palestinos. A comunidade internacional faz apelos para que a violência diminua, mas se contenta com protestos verbais, até que aumente o número de mortos e levando a pressão internacional a ser mais direta", acredita o diretor do IRIS.

Nova reunião do Conselho de Segurança

Tunísia, Noruega e China solicitaram a realização de uma nova reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira (14) para tratar do tema do agravamento das hostilidades entre Israel e os palestinos e evitar uma guerra em larga escala. A intenção destes países é que a reunião seja pública e conte com a participação do governo israelense e dos palestinos.

O Conselho já realizou duas videoconferências a portas fechadas desde a segunda-feira, nas quais os Estados Unidos, aliado de Israel, se opôs à adoção de uma declaração conjunta que, segundo disse, não "ajudaria a desescalar" a situação.

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