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Embaixada dos EUA acusa Talibã de 'massacres' de civis no Afeganistão

13.jul.2021 - Membros das Forças Especiais Afegãs se reagrupam após fortes confrontos com o Talibã, na província de Kandahar, no Afeganistão - REUTERS/Danish Siddiqui
13.jul.2021 - Membros das Forças Especiais Afegãs se reagrupam após fortes confrontos com o Talibã, na província de Kandahar, no Afeganistão Imagem: REUTERS/Danish Siddiqui

Da RFI

03/08/2021 06h25Atualizada em 03/08/2021 07h58

"Massacres" de civis realizados pelo Talibã foram relatados em alguns distritos do Afeganistão, alarmando as embaixadas norte-americana e britânica. Os fundamentalistas religiosos intensificaram seu controle sobre três grandes cidades do país, Herat, Kandahar e Lashkar Gah, onde os combates continuam intensos.

Desde o início da retirada das tropas estrangeiras, que será concluída no final de agosto, o Talibã lançou uma grande ofensiva contra as forças do governo e conquistou grandes áreas do país. Milhares de afegãos deixaram suas casas para buscar refúgio em cidades vizinhas ou nas capitais de províncias.

Os civis estão pagando um preço alto, relataram as embaixadas dos Estados Unidos e da Reino Unido ontem.

Essas acusações são baseadas em um relatório da Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão. Isso indica que "o Talibã identificou, rastreou e depois matou pessoas que trabalhavam para o governo, mesmo que não tivessem funções de combate", relata a correspondente da RFI em Cabul, Sonia Ghezali.

A organização se baseou nas investigações realizadas em Spin Boldak, um distrito no sul do país perto da fronteira com o Paquistão que o Talibã ocupou no mês passado.

Direito Internacional Humanitário violado

A comissão afirma ter identificado 40 pessoas mortas no distrito. Mais de uma semana atrás, o ministro do Interior afegão afirmou que cerca de 100 civis foram assassinados pelo Talibã em Spin Boldak.

A mídia local, citando os serviços de segurança afegãos, relatou há vários dias que muitos corpos sem vida espalhados pelas ruas do distrito. O Talibã rejeitou essas acusações. Seus combatentes não participam de nenhuma "caça às bruxas" ou saques, dizem.

Várias autoridades locais, no entanto, relatam violações de direitos humanos. Fozia Koofi, membro da delegação do governo que participa das negociações de paz em Doha, acusa o Talibã de não respeitar o Direito Internacional Humanitário.

Em um discurso ao Parlamento na terça-feira, o presidente Ashraf Ghani atribuiu a deterioração da situação de segurança à decisão dos Estados Unidos de se retirarem do país.

Programa especial para todos aqueles que ajudaram os Estados Unidos

Diante do "aumento da violência por parte do Talibã", o Departamento de Estado dos EUA anunciou ontem que estava pronto para receber mais refugiados afegãos se suas vidas estiverem em perigo. Os Estados Unidos receberam 400 afegãos que trabalharam com os militares ou embaixadas e suas famílias nos últimos cinco dias.

O secretário de Estado anunciou a criação de um programa especial para todos os afegãos que ajudaram os Estados Unidos direta ou indiretamente, mas que não atendem a todos os critérios necessários para um visto de imigração especial reservado para aqueles que trabalharam para os militares dos EUA regularmente, diz a correspondente da RFI em Nova York, Loubna Anaki.

"Por exemplo, quem trabalhou em um projeto financiado pelo governo, mas não diretamente para o governo. Ou aqueles que não possuem a antiguidade necessária. Temos uma responsabilidade com essas pessoas. Eles estiveram ao nosso lado, nós estaremos ao lado deles", explicou Antony Blinken.

"O povo afegão merece uma paz e segurança duradouras. Faremos de tudo ao nosso alcance para atingir esse objetivo. Continuaremos a dar as boas vindas aos refugiados afegãos como nossos vizinhos em reconhecimento à ajuda que nos deram, apesar do perigo", continuou Blinken.

Desde 30 de julho, os Estados Unidos já receberam mais de 400 afegãos dos 2.500 pedidos que já foram validados para receber um visto especial.

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