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Coronavírus

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O maior risco da covid-19 para as crianças é a saúde mental, diz pediatra francesa

Aos poucos, a contagiosidade da variante delta se multiplicam entre os menores de 11 anos na França, que não têm acesso à vacinação - iStock
Aos poucos, a contagiosidade da variante delta se multiplicam entre os menores de 11 anos na França, que não têm acesso à vacinação Imagem: iStock

Taíssa Stivanin, da RFI

21/09/2021 07h46Atualizada em 21/09/2021 08h25

A contagiosidade da variante delta, que hoje predomina na França, exigiu a manutenção de medidas de proteção nas escolas, como o uso da máscara e o distanciamento. Apesar dos cuidados, os casos aos poucos se multiplicam entre os menores de 11 anos, que não têm acesso à vacinação.

Para a presidente da Sociedade Francesa de Pediatria, Christèle Gras-Le Guen, o reforço do protocolo sanitário nos estabelecimentos, que reabriram no início do ano, é necessário. "Nós esperávamos poder aliviar as medidas de proteção e retomar a escola em condições mais normais. Mas, infelizmente, o vírus é muito contagioso, e sua circulação vai provavelmente acelerar com o início do ano letivo. Fomos obrigados a manter medidas na volta às aulas", explica.

De acordo com Le Guen, o vírus, até agora, não é considerado muito perigoso para as crianças. Poucas hospitalizações, que se mantêm estáveis desde o início da epidemia, foram contabilizadas na França. O número de menores nas unidades de terapia intensiva (UTI), diz, é baixo, e nenhuma morte foi registrada em 2021. Desde março de 2020, seis crianças sucumbiram à Covid-19 no país.

O vírus continua sendo benigno para os alunos, reitera, e o retorno à escola gera um risco de aumento da circulação, assim como o retorno em presencial de boa parte dos trabalhadores, que vão voltar a lotar o transporte coletivo. "Não estamos preocupados com a saúde das crianças, que correm poucos riscos de ter uma forma grave da Covid-19."

As mensagens alarmistas que pululam nas redes sociais, relembra, não correspondem à realidade epidêmica dessa faixa etária na França. A situação nos Estados Unidos, entretanto, é diferente. Os casos quintuplicaram e, desde o início da epidemia, pelo menos 432 menores entre 0-17 anos foram infectadas pelo vírus, de acordo com dados consolidados do CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças) até o dia 9 de agosto.

A pediatra ressalta, entretanto, que é preciso avaliar o acesso à saúde, que não pode ser comparado entre os dois países. Na França, independentemente da renda ou condição social, todas as pessoas recebem tratamento para qualquer tipo de patologia. Muitas vezes, totalmente gratuito. Le Guen também cita fatores de risco, como a obesidade, mais comum na população americana, e que predispõe a formas graves. Além disso, defende, desde o início da epidemia no país, muitas crianças já estiveram em contato com o vírus e podem ter adquirido um certo grau de proteção.

A verdadeira preocupação, no mundo pediátrico, ressalta a presidente da Sociedade Francesa de Pediatria, é em relação aos efeitos indiretos do vírus na saúde mental das crianças, como foi o caso das restrições ferrenhas colocadas em prática no primeiro lockdown na França, de março a maio de 2020. "Nós os impedimos de praticar esportes, de ver seus amigos, em alguns casos até de ir à escola. Tudo isso teve um impacto muito forte na saúde na mental".

Covid longa

A Covid longa, reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), também atinge crianças. Há relatos em vários países de menores que, após a infecção, desenvolveram sintomas persistentes como falta de concentração, cansaço ou perda de fôlego. Christelle Le Guen diz desconhecer casos na França. Ela cita um estudo britânico que mostra que entre 7% e 10% das crianças afetadas pelo SARS-CoV-2 desenvolveram sintomas.

"A principal dificuldade é que os sintomas são, na maior parte do tempo, subjetivos. Sintomas que envolvem sono, apetite, atenção, memória, que fazem parte de quadros de ansiedade, depressão ou um grande estresse", explica. Segundo ela, muitos adolescentes foram atendidos no pronto-socorro após tentativas de suicídio.

A presidente da Sociedade Francesa de Pediatria lembra que é preciso ficar atento a novos sinais de gravidade da doença nas crianças, mas reitera que, por enquanto, a Covid-19 continua sendo perigosa principalmente para idosos e pessoas com outras patologias que favorecem uma forma grave.

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