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'Estamos no limbo', dizem estudantes na véspera das eleições na Venezuela

Manifestação exibe bandeira da Venezuela - REUTERS/Ivan Alvarado/File
Manifestação exibe bandeira da Venezuela Imagem: REUTERS/Ivan Alvarado/File

20/11/2021 13h26

A oposição decidiu participar das eleições para a escolha de governadores e prefeitos previstas neste domingo (21) na Venezuela, depois de boicotar os pleitos de 2018 e 2020. Essas eleições ocorrem em um contexto de grave crise econômica e social, apesar de o país sul-americano possuir as maiores reservas de petróleo do mundo. A reportagem da RFI entrevistou jovens em Caracas para saber suas expectativas sobre o futuro. 

A oposição decidiu participar das eleições para a escolha de governadores e prefeitos previstas neste domingo (21) na Venezuela, depois de boicotar os pleitos de 2018 e 2020. Essas eleições ocorrem em um contexto de grave crise econômica e social, apesar de o país sul-americano possuir as maiores reservas de petróleo do mundo. A reportagem da RFI entrevistou jovens em Caracas para saber suas expectativas sobre o futuro.

A Universidade Central da Venezuela, a mais conhecida do país, está fechada há quase dois anos. Mesmo assim, alguns dias antes das eleições, vários estudantes se reuniram no campus.

"As universidades estão paralisadas. Não há empregos. Mas sem formação, não é possível entrar no mundo do trabalho. Nós, jovens, estamos abandonados em uma espécie de limbo", lamenta Ariana, uma estudante de 22 anos.

Com a aproximação das eleições, Oliver está acima de tudo preocupado. "Meu maior medo é que o país continue como está, que não aconteça absolutamente nada. Estou com medo porque vejo que as pessoas estão perdendo o interesse. Nós permitimos que as coisas continuem se deteriorando. Nossa consciência nacional e nossa cultura estão se perdendo em um mar de problemas reais e tangíveis. Mas, em algum ponto, teremos que passar do sofrimento à ação. Estou obcecado para saber como passar do sofrimento à ação, para tornar as coisas melhores", explica.

Aos 23 anos, Ruth é bem mais otimista do que seu grupo de amigos e está determinada a votar neste domingo.

"Nos últimos anos, eu estava entre aqueles para quem a vida estava muito difícil. Só comíamos sardinha e mandioca. Mas nunca pensei em ir embora, sempre tive esperança", diz ela. "Na verdade, estou muito otimista. Eu vejo que há muita disposição. Nós, jovens, a nova geração, devemos fazer propostas para melhorar as coisas e seguir em frente."

Opositor convoca venezuelanos para votar

Cerca de 21 milhões de venezuelanos são convocados a eleger 23 governadores e 335 prefeitos, além de legisladores municipais e regionais.

O opositor Juan Guaidó denunciou na sexta-feira (19) que não havia "condições para uma eleição livre e justa na Venezuela", mas afirmou respeitar os partidos da oposição que decidiram participar do processo de escolha de governadores e prefeitos, após anos de boicote.

"Não existe um jogo limpo. Esperamos que as missões de observação que estão na Venezuela apresentem um relatório" que "esclareça todos os abusos", declarou em um vídeo divulgado nas redes sociais.

Guaidó é reconhecido como presidente da Venezuela por uma centena de países desde 2019, entre eles os Estados Unidos, mas não conseguiu tirar o presidente socialista Nicolás Maduro do poder.

O opositor Henrique Capriles, que disputou duas vezes a presidência e não vota há quatro anos - a última vez foi em 2017-, afirmou que irá votar. "Acredito que votar não é suficiente, mas não se deve deixar de votar", assinalou. "Não deixem de votar, acho que temos que reencontrar esse direito e é isso que vou fazer fazer e tenho certeza que milhões de venezuelanos também o farão", disse o ex-governador do estado de Miranda durante uma entrevista coletiva em Caracas.

Capriles defende, assim como Guaidó, a reunificação da oposição. "A partir de segunda-feira, independentemente dos resultados da votação, a oposição deve relançar o processo democrático", propôs Capriles.

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