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1 mês

Israel adota tecnologia do serviço secreto para conter variante ômicron

Para localizar possíveis infectados pela covid, governo aprovou o uso temporário de uma tecnologia usada para monitorar os celulares de criminosos  - Gil Cohen-Magen/AFP
Para localizar possíveis infectados pela covid, governo aprovou o uso temporário de uma tecnologia usada para monitorar os celulares de criminosos Imagem: Gil Cohen-Magen/AFP

Daniela Kresch

Correspondente da RFI em Israel

29/11/2021 07h08Atualizada em 29/11/2021 08h08

Um segundo caso da variante ômicron da Covid-19, detectada na África do Sul e considerada preocupante pelos especialistas, foi detectado, neste domingo, em Israel. Esse fato aumentou ainda mais a preocupação do público depois que um primeiro caso foi anunciado, na quinta-feira (25).

A pessoa identificada com o segundo caso da variante ômicron viajou até a cidade balneária de Eilat no mesmo ônibus onde estava a mulher considerada a "paciente zero", uma trabalhadora estrangeira das Filipinas que voltou recentemente do exterior com a variante. Outras 12 pessoas que estavam no ônibus também podem ter se infectado.

Os casos levaram Israel a tomar medidas rápidas, fechando totalmente as fronteiras do país para estrangeiros. O fechamento, que entrou em vigor na madrugada desta segunda-feira, é um baque para o setor de turismo e acontece apenas quatro semanas depois da reabertura do país aos turistas. Ele ocorre bem na época das festas de fim de ano, principalmente o Natal, quando Israel costuma receber dezenas de milhares de peregrinos cristãos.

O primeiro-ministro, Naftali Bennett, afirmou que fechar as fronteiras do país "não é um passo fácil", mas que se trata de uma medida "temporária e necessária". Ele prometeu recompensar os profissionais do turismo no país, mas não disse como.

Além do fechamento das fronteiras, o Gabinete do Coronavírus - um comitê interministerial que tem tomado decisões relacionadas à pandemia de Covid-19 - anunciou várias medidas, que vão durar pelo menos duas semanas.

Além da proibição da entrada de estrangeiros, os cidadãos israelenses vacinados com três doses do imunizante da Pfizer BioNTech terão que fazer teste PCR ao pisar no país e ficar três dias de quarentena em casa. Após o 3º dia, farão outro teste e, só de o resultado der negativo, serão liberados.

Os israelenses não vacinados - total ou parcialmente - passarão pelo mesmo procedimento, mas a quarentena inicial será de sete dias, não de três. As medidas são mais rígidas para quem estiver voltando de países africanos: esses terão que fazer quarentena em hotéis designados para esse fim pelo governo, não em casa.

Também ficarão mais severas as regras do "Passaporte verde", o documento que só os inoculados com três doses podem ter.

Monitoramento

Mas a medida mais polêmica é a do retorno da tecnologia de monitoramento utilizada pelo Serviço de Inteligência de Israel, o Shin Bet. O governo israelense aprovou a utilização temporária de uma tecnologia usada para monitorar os telefones celulares de criminosos e suspeitos de terrorismo.

O objetivo é localizar qualquer pessoa que tenha entrado em contato com os diagnosticados com a variante ômicron para que façam exames de PCR e entrem imediatamente em quarentena.

A tecnologia só poderá ser usada até a próxima quinta-feira (2), dada sua sensibilidade. Alguns grupos - como ONGs de direitos-humanos e militantes anti-vacina - alegam que se trata de uma invasão de privacidade infundada e perigosa para a liberdade individual.

Para alguns, essas medidas parecem exageradas em um país que apresenta, atualmente, baixos índices de infecção e de mortes. Certamente Israel passa por um bom momento desde o começo da pandemia de coronavírus, em março de 2020. O país foi pioneiro na vacinação em massa, que começou em dezembro de 2020, e na liberação da terceira dose de reforço, em julho de 2021.

Na média dos últimos sete dias, foram detectados apenas 421 novos casos, o que contrasta com quase 10 mil novas infecções diárias em meados de setembro. O número de mortes também é baixo: 4 por dia, em média. No ponto mais grave da pandemia, a média era de 60 mortos diários.

Mais de 45% da população já foi inoculada com três doses da vacina da Pfizer BioNTech e quase 70% já receberam pelo menos uma dose. Fora isso, o país começou a vacinar crianças de 5 a 11 anos, há uma semana.

Mas as autoridades estão preocupadas com o aumento do índice "R", que mede a capacidade do vírus de se disseminar na população. Quando esse número é menor do que "1", significa que uma epidemia está em declínio. Israel estava com um índice "R" em 0,6, até dez dias atrás. Mas ele está hoje em 1,2.

O temor das autoridades é que, se a variante ômicron for mais infecciosa e resistente às vacinas, todo o esforço realizado até agora tenha sido em vão. Mas, segundo o ministro da Saúde, Nitzan Horowitz, as medidas são apenas uma precaução necessária e a situação ainda está "sob controle".

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