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Deslocados internos por conflitos e desastres naturais beira 60 mi no mundo

Pessoas perto de ônibus enquanto comboio de evacuação chega a um centro de refugiados em Zaporizhzhia, na Ucrânia - EMRE CAYLAK / AFP
Pessoas perto de ônibus enquanto comboio de evacuação chega a um centro de refugiados em Zaporizhzhia, na Ucrânia Imagem: EMRE CAYLAK / AFP

19/05/2022 05h48

Conflitos e desastres naturais forçaram milhões de pessoas a fugir dentro de seu próprio país no ano passado, elevando o número total de deslocados para um recorde próximo a 60 milhões, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira (19) por ONGs.

Conflitos e desastres naturais forçaram milhões de pessoas a fugir dentro de seu próprio país no ano passado, elevando o número total de deslocados para um recorde próximo a 60 milhões, segundo um estudo divulgado hoje por ONGs.

Os deslocados internos somavam 59,1 milhões em 2021, quase metade com menos de 18 anos, de acordo com o Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC) e o Conselho Norueguês de Refugiados (NRC).

A cada ano, esse número - que não leva em conta os refugiados no exterior - continua crescendo. Um novo recorde deve ser registrado em 2022, devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em 24 de fevereiro.

Será o segundo maior número dos últimos dez anos, atrás de 2020, que registrou um número recorde de deslocamentos devido a uma série de desastres naturais. "O ano de 2022 promete ser sombrio", com particular a guerra na Ucrânia, alertou a diretora do IDMC, Alexandra Bilak, em coletiva de imprensa.

Mais de 8 milhões de pessoas se deslocaram dentro da Ucrânia, cerca de dois meses depois que a Rússia invadiu o país, segundo a ONU. Esse fenômeno "nunca foi tão ruim", observa o secretário-geral do NRC, Jan Egeland, afirmando que "o mundo está desmoronando".

"A situação hoje é realmente muito pior do que nosso número recorde sugere. É o cúmulo do sofrimento humano", disse ele.

África Subsaariana

No ano passado, a África subsaariana foi a região com o maior número de deslocamentos internos. Mais de 5 milhões de deslocados foram registrados só na Etiópia, um país que vive uma grave seca e onde o conflito eclodiu em final de 2020 na região de Tigray. Este é o número mais alto já registrado em um único país.

Números sem precedentes também foram registrados no ano passado na República Democrática do Congo e no Afeganistão, onde o retorno ao poder do Talibã, junto com a seca, obrigou muitas pessoas a fugir de suas casas.

Em Mianmar, onde os militares tomaram o poder após um golpe em fevereiro de 2021, o número de deslocamentos também atingiu um nível recorde.

O Oriente Médio e o Norte da África, por outro lado, registraram os números mais baixos de novos deslocamentos em dez anos, com os conflitos na Síria, Líbia e Iraque tendo diminuído. No entanto, o número total de pessoas deslocadas na região permanece elevado.

A Síria continuou registrando o maior número de deslocados internos devido ao conflito, ou seja, 6,7 milhões no final de 2021. Em seguida vêm a República Democrática do Congo (5,3 milhões) e a Colômbia (5,2 milhões), além do Afeganistão e do Iêmen (4,3 milhões cada).

Desastres naturais

Embora a quantidade de deslocados por conflitos ainda estejam aumentando, os desastres naturais continuam sendo a principal razão pela qual as pessoas são forçadas a fugir de suas casas (23,7 milhões de deslocamentos em 2021).

Nada menos que 94% desses deslocamentos foram atribuídos a desastres climáticos, como ciclones, inundações e secas, que estão se tornando mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas. China, Filipinas e Índia registraram 70% dos deslocamentos internos ligados a desastres naturais em 2021.

"Cada vez mais, conflitos e desastres naturais andam de mãos dadas", observou Egeland.

Em países como Moçambique, Mianmar, Somália e Sudão do Sul, as crises se sobrepõem, impactando a segurança alimentar e aumentando a vulnerabilidade de milhões de pessoas.

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