Quem é Yahya Sinwar, líder do Hamas em Gaza que é temido e caçado por Israel

Yahya Sinwar é considerado como o mentor do ataque do Hamas contra Israel que desencadeou um dos piores conflitos na região e não aparece em público desde outubro.

"Eu sonho com Sinwar, penso nisso quando como... Penso nisso o tempo todo! " diz Michael Kobi. " O veterano de 78 anos do Shin Bet, um dos serviços de inteligência israelenses, conheceu Yahya Sinwar quanto trabalhava na prisão.

Kobi interrogou por 150 horas o homem que era, na época, o chefe de uma milícia encarregada de "caçar traidores da causa palestina", diz Sami Boukhelifa, correspondente da RFI em Jerusalém. "Nunca conheci alguém tão cruel", comenta.

Segundo o agente, o líder do Hamas, que hoje tem 61 anos, usava uma faca de açougueiro para decapitar as vítimas.

Em Gaza, seu apelido era "o carniceiro de Khan Younis". "Falava friamente, como se fosse indiferente a tudo. Nada o afetava", ressalta. Yahya Sinwar é "a face do mal", disse recentemente um porta-voz do exército israelense.

Nascido no campo de refugiados de Khan Younis, em Gaza, ele cresceu próximo do xeique Yacine, fundador do Hamas. Aos 25 anos, liderou uma unidade de inteligência do grupo islamista que punia "colaboradores" - os palestinos condenados por espionagem para Israel. Em 1988, fundou o Majd, serviço de segurança interna do Hamas. Ao ser preso no ano seguinte, se consolidou como líder dos detentos.

Condenado diversas vezes à prisão perpétua, deixou a cadeia em 2011 com mil detentos liberados por Israel em troca do soldado Gilad Shalit, que foi refém do Hamas por cinco anos.

Durante 22 anos na prisão em Israel, Yahya Sinwar aprendeu hebraico e teve a oportunidade de entender melhor o "inimigo", antes de ser solto.

Em 2015, foi adicionado à lista de "terroristas internacionais" dos EUA, ano em que foi alvo de várias tentativas de homicídio. Ele foi eleito líder do Hamas na Faixa de Gaza em 2017. Sua crueldade e seu radicalismo em relação a Israel é bem conhecido, frisa Kobi.

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Mentor dos ataques de 7 de outubro

Mas, quando se tornou chefe do escritório político do Hamas em Gaza, em 2017, sua retórica mudou. Yahya Sinwar costuma dizer que seu objetivo é desenvolver economicamente o território, em vez de ir para a guerra.

Apesar dessa declaração, ele é o principal suspeito de organizar os ataques de 7 de outubro. "Em 1989, ele disse que estava planejando um grande massacre de judeus. Por isso, considera o que fez um sucesso. Devíamos tê-lo eliminado há muito tempo, diz Michael Kobi. O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, prometeu "encontrá-lo e eliminá-lo".

Ele estaria escondido nos túneis debaixo do território palestino.

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