Ataque israelense atinge prédio municipal e mata prefeito no sul do Líbano
O Exército israelense atacou o sul de Beirute na manhã de quarta-feira (16), após as declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que disse na terça-feira (15) se opor a qualquer cessar-fogo "unilateral" no Líbano.
Dois ataques atingiram o bairro xiita de Haret Hreik, no sul de Beirute, no início da manhã, poucos minutos após o Exército israelense ter emitido uma ordem de evacuação desta área suspeita de acolher "interesses" do Hezbollah.
As Forças Armadas israelenses afirmaram ter atacado um armazém de "armas estratégicas pertencentes à organização terrorista".
Ataques aéreos israelenses atingiram Nabatiyeh, no sul do Líbano, na quarta-feira (16), de acordo com a governadora regional Howaida Turk, afirmando que um "anel de fogo" se formou em torno desta cidade, onde Israel e o Hezbollah estão agora em guerra aberta.
O bombardeio atingiu um prédio municipal, matando várias pessoas, incluindo o prefeito da cidade de Nabatiyeh, a mais importante do sul do país e liderada pelo Hezbollah e seu aliado, o movimento xiita Amal.
"Houve onze ataques, principalmente em Nabatiyeh, mas também nos seus arredores", disse ela informando que "o número de vítimas ainda não foi estabelecido".
No sábado (12), um bombardeio já havia destruído o centro comercial da cidade. Desde que os bombardeios massivos começaram, em 23 de setembro, pelo menos 1.356 pessoas foram mortas no Líbano, segundo uma contagem da AFP baseada em números oficiais.
Os Estados Unidos tentaram aumentar a pressão sobre Israel, dizendo que se "opõem" à campanha de bombardeios realizada em Beirute. Washington também ameaçou seu aliado de suspender sua ajuda na ausência de um aumento "espetacular" na assistência humanitária à Faixa de Gaza, que es encontra em seu nível mais baixo, de acordo com a ONU.
Na noite de terça-feira, o Ministério da Saúde libanês informou que nove pessoas foram mortas em ataques israelenses em vários municípios no sul do Líbano. Outro bombardeio israelense a uma cidade no leste do país, na fronteira com a Síria, também deixou cinco mortos, incluindo três crianças, segundo a mesma fonte.
Oposição a cessar-fogo unilateral
Benjamin Netanyahu declarou, na terça-feira, que se opunha a um "cessar-fogo unilateral, que não mudaria a situação de segurança no Líbano" e que "não impediria o Hezbollah de se rearmar e se reagrupar" no sul do Líbano, durante uma conversa telefônica com o presidente francês Emmanuel Macron.
O Hezbollah afirmou ter disparado "uma grande salva de mísseis" na direção de Safed na madrugada de quarta-feira. Esta é a terceira vez em menos de dois dias que o movimento islâmico ataca esta cidade no norte de Israel. A milícia também disse ter feito lançamentos contra posições de artilharia israelense em Dalton e Dishon (nordeste).
O Exército israelense relatou o disparo de 50 mísseis no norte do país a partir do Líbano, sem mencionar vítimas.
Na terça-feira, o Hezbollah anunciou que tinha como alvo "três escavadoras israelenses e um tanque Merkava" numa aldeia fronteiriça no sul do Líbano e relatou "combates corpo a corpo".
O grupo assumiu a responsabilidade pelos ataques com foguetes em diversas áreas do norte de Israel, incluindo Haifa e Safed, e afirmou ter abatido dois drones israelenses.
Combatentes do Hezbollah capturados
Na terça-feira, o Exército israelense bombardeou o sul do Líbano, bem como a região de Bekaa, no leste, destruindo um hospital em Baalbek, segundo a agência de notícias libanesa ANI.
"Foi uma noite violenta em Baalbek, não vivíamos uma igual desde a guerra de 2006" entre Israel e o Hezbollah, testemunhou Nidal al-Solh, 50 anos.
O exército israelense afirmou ter capturado três combatentes do Hezbollah no sul do Líbano.
Depois de quase um ano de trocas de tiros fronteiriços com o Hezbollah e após ter enfraquecido o Hamas na Faixa de Gaza, Israel transferiu a frente da guerra para o Líbano em meados de setembro, alegando querer distanciar o Hezbollah da fronteira e pôr fim aos ataques frequentes do grupo, a fim de permitir o regresso ao norte de Israel de cerca de 60.000 habitantes deslocados.
As autoridades libanesas anunciaram na terça-feira que 41 pessoas morreram no dia anterior em todo o país. Pelo menos 1.356 pessoas foram mortas no Líbano desde que os bombardeios massivos começaram em 23 de setembro, de acordo com uma contagem da AFP baseada em números oficiais, que, na verdade, podem ser mais elevados.
A ONU registrou quase 700 mil pessoas deslocadas.
(Com AFP)
14 comentários
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Joel Cuten
depois de um ano inteiro sendo bombardeado a partir do sul do Líbano pelo hezbolah e implorando por um cessar fogo diplomático, Israel foi 'contemplada' por um bombardeio fatal que matou 12 crianças que jogavam futebol!!!! Ninguém se indignou, ninguém mexeu uma palha para acabar com esses ataques imorais do hezbolah! Chega! Israel resolveu terminar com essa ameaça; pronto: os chorões já estão aqui condenando Israel? Pq não estavam aqui antes, condenando o hezbolah e pedindo o cessar fogo, o fim desse lançamento insano de mais de 9 mil foguetes contra Israel? É a pax romana, a paz dos cemitérios que querem impor a Israel? NÂO!! nunca mais nos deixaremos abater sem respostas: NUNCA MAIS!
Ivan Leite Albanese
Israel está provando que existe Inferno. Esse país artificial foi escolhido para infernizar a raça humana. Não existe mais nenhuma propaganda enganosa ou mentira capaz de esconder tanta barbaridade. Israel não tem limites, totalmente sem moral, sem honra, uma besta a s s a s s i n a. EUA, o protetor da besta, o país mais falso e mentiroso da História. Dizem que se "opõem" ao bombardeio de civis e crianças árabes mas fornecem todas as bombas, armas e até apoio de porta-aviões no Mediterrâneo. Está no fim. Culturas milenares e jogadores de Xadrez estão pacientemente esperando o momento certo para o xeque-mate.
Matheus Teodoro da Silva Filho
Netanyahu psicopata destroçou Gaza e agora segue fazendo o mesmo no Líbano. Com o apoio incondicional de Biden hipócrita. Por isto, não há expectativa de término para esses conflitos.