É falso que ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes não cursaram direito
É falso que os ministros do STF (Supremo Tribunal de Justiça) Dias Toffoli e Gilmar Mendes não tenham cursado direito, como afirmam publicações desinformativas que circulam nas redes sociais.
A própria Corte desmentiu a informação. Além disso, ambos atuaram como advogados antes de ingressar no Supremo, o que requer aprovação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e, para tanto, diploma na área.
O pedido de checagem foi enviado ao UOL Confere pelo WhatsApp (11) 97684-6049.
O que diz o post
Post exibe fotos de Dias Toffoli e Gilmar Mendes lado a lado.
Acima das imagens, há o seguinte texto: "A arrogância é alta e a malandragem também. Um grupo de magistrados que há vários anos vêm investigando as indicações de Toffoli e Gilmar Mendes ao STF, apuraram que ambos não possuem certificado da OAB e nem sequer cursaram faculdade de direito.Os senadores que aprovaram suas indicações, na sabatina, para o STF à época ,foram escolhidos a dedo pelos ex-presidentes Lula e FHC , respectivamente. As provas produzidas nessa investigação, foram apostiladas e enviadas ao congresso americano e Tribunal Penal Internacional . * desdobramentos Joaquim Ribeiro".
Por que é falso
Toffoli e Mendes se formaram no curso de direito. Em nota à imprensa (aqui), o STF disse que os posts trazem "informação incorreta" sobre os ministros. "Toffoli é bacharel em direito pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo (USP), graduado no ano de 1990 (aqui e aqui). Decano do STF, Gilmar Mendes é bacharel em direito pela Universidade de Brasília (UnB), graduado em 1978 (aqui), além de possuir mestrado e doutorado pela UnB e pela Universidade de Münster, na Alemanha", diz o STF.
Eles suspenderam carteira da OAB ao entrar no STF. A exigência da realização do Exame da OAB vale para bacharéis em direito que queiram atuar como advogados. Isso está previsto no artigo 8º do Estatuto da Advocacia e da OAB (aqui). "Toffoli e Mendes pediram a suspensão da carteira da OAB antes de assumiram as vagas no STF, mas ambos possuíam o documento anteriormente ao exercício da função de ministros da Suprema Corte", diz o STF. No caso de Dias Toffoli o registro pode ser encontrado no CNA (Cadastro Nacional dos Advogados), mas atualmente encontra-se cancelado (aqui - ao digitar o nome do ministro).
Os dois atuaram antes como advogados. Segundo o STF, Toffoli exerceu a advocacia em Brasília e em São Paulo em dois períodos distintos: entre os anos de 2005 e 2007 e, também, entre 1991 e 1995. "O que só seria possível com o documento fornecido pela OAB", reforça o Supremo. O ministro também é professor de Direito Constitucional na Escola da Magistratura da Associação dos Magistrados do Distrito Federal e no UniCeub (Centro de Ensino Unificado de Brasília). Já o o ministro Gilmar Mendes ocupou o cargo de procurador da República, aprovado por meio de concurso público, antes de ingressar no STF. "O ministro também ocupou cargos na Secretaria Geral da Presidência da República (adjunto e consultor jurídico), foi assessor técnico no Ministério da Justiça, subchefe de assuntos jurídicos na Casa Civil da Presidência da República, além de advogado-geral da União entre os anos de 2000 e 2002. Na área acadêmica, Gilmar Mendes é professor aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), assim como é professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) desde o ano de 1998, entre outras inúmeras atividades em diversas instituições de ensino", destaca o Supremo.
Indicação de ministros do STF é feita pelo presidente. A escolha tem de ser aprovada pela maioria absoluta do Senado Federal (41 dos 81 senadores) após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça. "De acordo com a Constituição Federal (artigo 101), os ministros do STF são escolhidos dentre cidadãos com mais de 35 e menos de 70 anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada", destaca o Supremo.
STF alerta sobre conteúdos desinformativos. "O STF alerta para a importância de não repassar informações publicadas em locais não confiáveis e com dados alarmistas ou teorias conspiratórias. Para conscientizar a sociedade sobre a importância do papel de cada um para evitar a propagação de notícias falsas sobre o STF e seus ministros, o Supremo Tribunal Federal publica notícias, quando necessário, nas quais informações falsas ou deturpadas atribuídas à Corte e aos seus ministros são objeto de correção", diz o Supremo.
Viralização. Uma publicação que circula no X (antigo Twitter) já contava nesta quarta-feira (13) com mais de 317 mil visualizações, 3.000 compartilhamentos e 751 comentários. O próprio STF comentou a publicação, dizendo se tratar de um conteúdo falso.
@joaquimrib1801 a informação compartilhada é falsa: o ministro Toffoli é bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo (USP), graduado no ano de 1990. Decano do STF, @gilmarmendes é bacharel em Direito pela Universidade de…
-- STF (@STF_oficial) November 12, 2024
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4 comentários
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Irati Luis Michelon Pirolla
Noticia totalmente irrelevante, impactante seria a noticia dizendo que por respeito a justiça, eles tivessem mantido as condenações da lava jato. Agora, depois do estrago, pouco importa se eles tem currículum ou não.
Marcos Issao Hashiguchi
Pelas decisões que tomam, nem parecem que um dia frequentaram uma faculdade de direito. Devem ter passado raspando no exame da OAB, ou deram um jeitinho.
Paulo Salton Rosek
Mas por suas atuações até parece verdade!!!Kkkk Brasil país da piada pronta.