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Boulos: 'Se tiver 2ª onda de covid, vou fazer o que deveria ter sido feito'

16.11.2020 - Guilherme Boulos (PSOL) antes do debate da CNN Brasil para a Prefeitura de São Paulo - Kelly Queiroz/Divulgação/CNN Brasil
16.11.2020 - Guilherme Boulos (PSOL) antes do debate da CNN Brasil para a Prefeitura de São Paulo Imagem: Kelly Queiroz/Divulgação/CNN Brasil

Do UOL, em São Paulo

16/11/2020 20h11Atualizada em 16/11/2020 21h09

O candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) afirmou na noite de hoje que, caso eleito no segundo turno, realizará testagem em massa da população para lidar com uma possível segunda onda de covid-19. A declaração foi dada durante o debate contra Bruno Covas (PSDB) pela CNN Brasil. O debate é transmitido pelo UOL.

A fala alfinetou as medidas adotadas pela prefeitura paulistana para tentar conter o novo coronavírus sob a gestão do próprio Covas, atual prefeito e candidato à reeleição.

Numa eventual segunda onda, que a gente espera que não aconteça na cidade, o que vou fazer é o que deveria ter sido feito no início da pandemia."
Guilherme Boulos

O psolista afirmou que pretende fazer testagem em massa e monitoramentos epidemiológicos.

"[Vou] Usar a rede de agentes comunitários de saúde — são quase 8 mil na cidade de São Paulo — para fazer a testagem em massa, usar os equipamentos públicos — que estão subutilizados, as escolas ainda estão fechadas, por exemplo —, para fazer o isolamento das pessoas que não conseguem fazer, seja por condições de moradia precária, adensamento ou qualquer outra razão, e monitoramento epidemiológico seguindo o conselho de infectologistas, profissionais de saúde, enfim, a ciência", disse Boulos.

Em resposta, Covas disse que todas as decisões da administração municipal foram realizadas com acompanhamento de técnicos de vigilância sanitária. "Muito fácil agora ser engenheiro de obra pronta", disse ele.

O difícil foi enfrentar o desafio de estar à frente da prefeitura durante o momento em que a cidade virou o epicentro dessa grave crise sanitária no Brasil. Todas as medidas tomadas aqui foram tomadas olhando para a realidade da cidade, uma cidade que tem 1.740 ruas que começam na cidade de São Paulo e terminam numa outra cidade da Grande São Paulo."
Bruno Covas

O prefeito também mencionou os hospitais de campanha construídos na capital paulista e declarou que o pior momento "já passou".

"Apostamos numa ação que foi feita com orientação da vigilância sanitária, conjunta com o governo do estado, em que rapidamente subimos dois hospitais de campanha para não deixar ninguém sem atendimento. Não tivemos cenas que a gente viu repetidas mundo a fora, de o médico escolher quem era intubado, e durante o período do quarentena conseguimos reforçar o sistema público. Mais mil leitos foram entregues esse ano a população e ficaram de forma permanente na cidade de São Paulo. O pior já passou", disse o tucano.

Hospitais de campanha

Questionado por Boulos sobre o motivo que o levou a investir na construção de hospitais de campanha, de funcionamento temporário, ao invés de utilizar a verba para o aparelhamento de outras unidades de saúde, Covas disse que a pergunta era um "desrespeito com todos os profissionais da saúde".

"Primeiro, [quero] lamentar essa atitude do candidato Guilherme Boulos porque é um desrespeito com todos os profissionais da área da saúde que se dedicaram a atender a população durante o período mais difícil da pandemia. Eles foram verdadeiros heróis. Aqui na cidade ninguém que procurou tratamento ficou de fora. Os médicos não precisaram escolher quem era entubado e quem não era entubado", disse Covas.

O prefeito aproveitou para chamar Boulos de "radical". "O radicalismo ideológico sabe criticar, mas não sabe salvar vidas. Basta conhecer o mínimo de uma obra pública para saber que não se termina uma obra permanente em 15 dias na cidade de São Paulo ou em qualquer lugar do mundo", concluiu.

*Colaboraram: Carolina Marins, Felipe Oliveira, Jean Sfakianakis, Juliana Arreguy, Leonardo Martins, Lucas Teixeira Borges e Roberto Junior.