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Alberto Bombig

REPORTAGEM

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PT vê França isolado e perdendo cacife para negociar apoio a Haddad

Márcio França faz o L da campanha de Lula durante sabatina do UOL - UOL
Márcio França faz o L da campanha de Lula durante sabatina do UOL Imagem: UOL
Alberto Bombig

Alberto Bombig é jornalista com passagens pela Folha de S. Paulo, revista Época e O Estado de S. Paulo.

Colunista do UOL

03/05/2022 11h45

O comando da pré-campanha de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo avalia que Márcio França (PSB) está perdendo o "timing" para a celebração de um acordo político com o ex-prefeito da capital paulista. Um último esforço de composição, liderado por nada menos do que Lula e Geraldo Alckmin, será empreendido nesta semana: o anúncio de composição eleitoral no próximo sábado (7) seria a maneira ideal de minimizar o desgaste provocado até agora no campo da centro-esquerda pela falta de entendimento entre os pré-candidatos.

Em sabatina promovida pelo UOL e pela Folha na segunda-feira (2), França deu sinais contraditórios sobre seu futuro. Citou a possibilidade de um acordo com o PT e sugeriu o uso de pesquisas eleitorais para a escolha do candidato.

Lula tem conversado com Haddad, enquanto Alckmin faz a ponte com França. Apesar da crença em um acordo ainda demonstrada pelo ex-presidente petista e por seu candidato a vice, indicado pelo PSB, o clima é de ceticismo no entorno dos pré-candidatos ao Palácio dos Bandeirantes. O diagnóstico no PT é de que França esticou demais a corda na manutenção da pré-candidatura e planeja continuar com essa estratégia até junho ou mesmo julho, enquanto acompanha as séries das pesquisas eleitorais: se continuar bem posicionado, deverá ir adiante; se começar a derreter, buscará a composição. O problema para ele é que o comando estadual do PT quer definir a chapa ainda este mês porque está sendo pressionado por outros parceiros, como o PSOL, o PV e o PCdoB.

Em sentido oposto ao adotado por França, a desistência de Guilherme Boulos da pré-candidatura ao governo é apontada pelos petistas como bom exemplo de timing eleitoral e político: o principal líder do PSOL no estado deixou de lado o projeto pessoal quando percebeu que começava a perder pontos nas pesquisas e se juntou a Haddad.

Conforme explica um dirigente petista, se França demorar demais, poderá ficar longe da classe executiva e até mesmo dos assentos da janela no avião da candidatura de Haddad ao Bandeirantes. Ainda falta definir quem será o vice de Haddad e quem será o candidato ao Senado na chapa de centro-esquerda no estado. Juliano Medeiros, do PSOL, por exemplo, tem conquistado a simpatia dos petistas e do próprio Lula. No próximo sábado (7), PT e PSB vão lançar oficialmente a união eleitoral para a disputa do Planalto. A data é vista pelo entorno de Haddad como mais um "deadline" para França.

Segundo apurou a coluna, França também tem conversado com coordenadores da pré-campanha de Rodrigo Garcia à reeleição. O tucano teme que uma eventual campanha de França acabe por fraturar o tradicional eleitorado do PSDB no estado, o que favorece Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), o nome de Jair Bolsonaro (PL) na corrida pelo Bandeirantes.

Do lado do atual governador do estado, o diagnóstico é semelhante: faltará estofo político para França levar adiante sua pré-candidatura. O PSB minguou em termos de prefeituras e espaço parlamentar em São Paulo. Por ora, é consenso que o único ativo do projeto eleitoral de França é a passagem dele pelo cargo de governador, em 2018, e o "recall" da campanha daquele ano. Porém, sem tempo de TV (ele está sem partidos de peso na coligação), ficará difícil manter os mesmos índices das mais recentes pesquisas, avaliam tucanos e petistas.