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1ª indígena vacinada: "Crença não basta para combater vírus; vacina, sim"

Vanuzia Costa Santos, 50 anos, moradora da aldeia multiética Filhos dessa Terra, em Cabuçu Guarulhos, é a primeira indígena do Brasil a se vacinar contra a covid-19 - Divulgação
Vanuzia Costa Santos, 50 anos, moradora da aldeia multiética Filhos dessa Terra, em Cabuçu Guarulhos, é a primeira indígena do Brasil a se vacinar contra a covid-19 Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

17/01/2021 20h35Atualizada em 18/01/2021 07h19

Vanuzia Costa Santos, de 50 anos, primeira indígena a ser vacinada contra a covid-19 no Brasil, definiu como "esperança" o que sentiu após receber a dose do imunizante. Moradora da aldeia multiétnica Filhos dessa Terra, localizada no bairro de Cabuçu, em Guarulhos, ela disse hoje, em entrevista à Globonews, que, apesar de ser uma mulher de fé, os conhecimentos milenares da sua ancestralidade não são suficientes para combater o vírus, mas "a vacina sim".

"Eu sou um exemplo, sou indígena, sou uma mulher de fé, sou uma pessoa que preserva os ensinamentos dos meus parentes, da minha ciência, da minha ancestralidade e da minha crença. Mas só a minha crença e a minha ancestralidade não são suficientes para combater esse vírus, a vacina sim".

Vanuzia reforçou que ser imunizada não significa perder o conhecimento nativo dos "chás" e "ervas medicinais". Ela também contou que, durante a infância, era levada para tomar vacina nas aldeias pela mãe, "uma indígena que não tinha estudo, mas acreditava na ciência".

"Sempre que precisava tomar vacina ela levava a gente, eu tenho uma marca no braço que a maioria dos brasileiros tem. A gente tomava vacina, por que não agora? Por que essa ignorância de pessoas dizendo que essa vacina veio para nos tirar a vida? Essa vacina veio para nos salvar."

Durante a entrevista, ela fez um apelo aos parentes que disseram que não iam tomar a vacina contra a covid-19. "Disseram que essa vacina veio nos matar. Não veio", reforçou.

Técnica em Enfermagem e assistente social, Vanuzia atua como presidente do Conselho do Povo Kaimbé, originário do Nordeste. Em maio ela foi diagnosticada com covid-19 e relatou que a doença causou muita falta de ar, além de não ter conseguido recuperar até hoje o olfato e o paladar.

Distribuição da CoronaVac

Após o início da vacinação no Brasil, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que o estado vai entregar 4,6 milhões de doses da CoronaVac, imunizante contra a covid-19 criada pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

"Após aprovação pela Anvisa, determinamos ao Instituto Butantan que inicie imediatamente a distribuição da vacina ao Ministério da Saúde. Os caminhões com as primeiras doses serão carregados rapidamente e ainda hoje seguirão para o depósito do Ministério da Saúde no aeroporto de Guarulhos", garantiu Doria em entrevista coletiva no Hospital das Clínicas, onde os primeiros profissionais de saúde começaram a ser vacinados contra a Covid-19.

Após as imunizações começarem em São Paulo, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, acusou Doria de "desprezar a lealdade federativa". Pazuello classificou como "marketing" o ato simbólico que ocorreu com a vacinação da enfermeira Mônica Calazans, primeira pessoa a receber o imunizante contra a covid-19 em solo nacional.