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Bloco das POC e aniversário do Agytoê agitam pré-Carnaval do Rio

Bruna Prado/UOL
Bloco POC durante o pre-carnaval, no Arco do Teles, Centro da cidade do Rio de Janeiro Imagem: Bruna Prado/UOL

Lola Ferreira

Colaboração para o UOL, no Rio

2019-02-04T11:58:02

04/02/2019 11h58

Fevereiro começou agitado para os blocos de Carnaval do Rio de Janeiro. A cerca de um mês da festa, alguns blocos animaram este domingo (3). A data marcou a estreia do Bloco das POC e também do aniversário do bloco Agytoê, que comemorou a data com mais um ensaio aberto no centro da cidade. De um lado, a música pop e do outro, o axé: teve festa para todos os gostos.

O Bloco das POC foi marcado no Arco de Teles, espaço público que nos últimos anos tem sido ocupado por rodas de samba, bailes funk e festas LGBT no centro da cidade, próximo à Igreja da Candelária. Logo na primeira hora de evento, começaram a pipocar as primeiras reclamações sobre uma medida pouco usual da organização: a entrada da Travessa do Comércio, logradouro em que fica o espaço, foi fechada com grades. 

Quem já estava na rua aguardando o início do bloco e portava sua própria bebida, em coolers ou isopores, foi orientado a sair do espaço: a orientação era comprar unicamente nos bares oficiais do evento. Alguns foliões reclamaram, pois não houve orientação prévia sobre a proibição do consumo de bebidas próprias. Após o início oficial da festa, por volta das 18h, quem quisesse "entrar" na rua portando suas próprias bebidas era proibido. Com isso, a praça XV, em frente ao evento, ficou lotada. 

O imbróglio com as bebidas não acabou com a festa, que tem previsão de durar até a primeira hora desta segunda-feira. Ao som de cantoras de música pop, como Gloria Groove, Beyoncé, Rihanna e Karol Conká, o público LGBT se divertiu como se o Carnaval já tivesse chegado.
O bloco é apoiado pelos co-irmãos Saymos do Egyto, voltado ao público LGBT e com foco em músicas de axé, e da festa Eclética, que como o nome sugere toca todos os ritmos e também tem LGBTs como público-alvo. 

Bruna Prado/UOL
Imagem: Bruna Prado/UOL

POC, no pajubá, a linguagem criada pela população LGBT, também é sinônimo de gay. Na descrição oficial do bloco, significa "Para Ouvir e Coreografar". Independentemente do sentido da palavra que dá nome à festa, a palavra de ordem para o público de gays, lésbicas e transexuais presentes era segurança. O estudante de Direito Luís Wallace, de 24 anos, ressaltou a importância de um evento como este: "No momento em que estamos vivendo, e sob ataques, acho que não tinha hora mais propícia para a gente levantar nossa bandeira", afirmou. 

A gastrônoma Carolina Xavier, de 23 anos, corroborou o parceiro de folia. Com uma plaquinha que chamava para beijos com outras meninas, ela destacou que se sentia muito mais segura em um espaço predominantemente LGBT, e comparou estar no local com a presença em outros blocos grandes, em bairros turísticos da cidade, como Ipanema. "Aqui a gente pode ser a gente", definiu à reportagem do UOL.

O casal Léo Munhoz e Marlon Silveira, donos do Instagram @amorcomglitter, chamaram a atenção de todos. Fantasiados de "Super POCs", eles contaram que a ideia era expor a fantasia somente no Carnaval, mas com o surgimento do bloco, que desfila pela primeira vez em 2019, tiveram de adiantar a produção. A máscara de super-herói não tinha como ser diferente: com muito glitter, claro. 

Este será o primeiro ano que o Bloco das POC sai pelas ruas do Rio de Janeiro. O evento deste domingo é visto como um aquecimento, mas ainda não há datas posteriores em que a festa possa acontecer, seja em espaços abertos ou fechados. 

Axé para comemorar

A poucos metros do Bloco das POC, outro que arrasta multidões no Carnaval comemorou seu sexto ano desde a criação. O Agytoê, com sua ala coreografada de bambolês, e banda que reverencia os hits de axé e algumas músicas de origem afro-brasileira, fez seu terceiro ensaio aberto no Passeio Ernesto Nazareth, na região portuária da cidade. 

O local escolhido é um dos espaços a céu aberto revitalizados nos últimos anos. Com a aproximação do Carnaval, diferentes blocos tem se apropriado da região e feito ensaios por ali. Para evitar a confusão e condicionar a permanência no bloco ao consumo no bar do evento, além de promover melhor a segurança dos presentes, o Agytoê disponibiliza online os ingressos, sem custo nenhum, para controlar o acesso ao show. Para quem quisesse matar a fome, comidas nordestinas como acarajé e baião de dois estava à venda. 

Por volta das 20h, a apresentação começou, com presença ilustre da escritora Conceição Evaristo. Antes, DJs agitaram a festa com sucesso de Spice Girls, Backstreet Boys, Anitta, Ludmilla e até Bruno Mars. O tempo de estrada e o comprometimento da banda chamou a atenção dos presentes. Tanta sincronia fez parecer que nem tratava-se de um ensaio, mas do desfile para valer. Comandado por Ana Bispo, o Agytoê levantou o público com sucessos e levou um pouquinho de Salvador para a Cidade Maravilhosa. 

O ensaio gratuito do Agytoê acontece todos os domingos até o Carnaval. Apesar da região não ser próxima de estações de metrô ou linhas de ônibus para diferentes regiões da cidade, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é a melhor opção para quem quiser chegar.
 

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