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Freiras e padres fazem a festa no Bloco das Carmelitas, no Rio

Bateria do tradicional Bloco das Carmelitas  - Douglas Shineidr/UOL
Bateria do tradicional Bloco das Carmelitas Imagem: Douglas Shineidr/UOL

Michel Alecrim

Colaboração para o UOL, no Rio

05/03/2019 09h47

O Bloco das Carmelitas desfilou nesta terça-feira de Carnaval. Na frente, um boneco de freira vestindo véu azul e rosa. Alguns foliões trouxeram faixa vermelha pedindo "Lula livre".

Os foliões lotaram o Largo do Curvelo, local da concentração, sob o sol forte. A maioria dos participantes vestiu com fantasias irreverentes, mas a preferida ainda foi a de feiras e padres.

O casal Sérgio Farias e Patricia Silva, de 42 e 41 anos respectivamente, acordou cedo para aproveitar o máximo. Eles trouxeram a filha Isabel, 19. "Estamos indo a dois blocos por dia, mas nada de cansaço, e o Carmelitas é imperdível", disse o pai.

O poeta e morador do bairro Jorge Salomão, mesmo aos 72 anos, esbanjou disposição na concentração. "O carnaval de rua é um acontecimento fantástico. Saio nesse bloco há 20 anos", afirmou ele.

O trajeto do segundo desfile é diferente do realizado na sexta-feira, que terminou dentro do próprio bairro. Hoje os foliões descem pela Rua Joaquim Murtinho em direção à Lapa, onde se dispersam. O objetivo, segundo o presidente Alavanisio Damasceno, é reduzir a quantidade de foliões depois do bloco e dar mais sossego aos moradores no fim do carnaval. "Se não fosse assim, as pessoas ficariam o dia inteiro bebendo com som alto nas ruas", explicou Damasceno.

Este ano, o bloco traz como enredo a liberdade de expressão. Integrantes da bateria vestiram camisa azul e rosa, ironizando a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que falou sobre uma nova era em que o azul seria a cor dos meninos e o rosa, das meninas. No bloco as cores se misturam. 

No entanto, algumas ritmistas preferiram manter a tradicional fantasia de freira. O bloco nasceu de uma referência a suposta religiosa do convento do bairro que fugiu para pular o Carnaval. 

Liniana Liao, 56, que toca cuíca, acredita que a lenda até pode ser verdade. "Se eu fosse freira, eu fugiria também", disse a ritmista.

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