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Em crise financeira, Mocidade fala sobre o tempo e encanta

Desfile da da Mocidade Independente de Padre Miguel - Júlio César Guimarães/UOL
Desfile da da Mocidade Independente de Padre Miguel
Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Do UOL, em São Paulo

05/03/2019 05h38

Campeã em 2017 e sexta colocada no ano passado, a Mocidade quis confirmar a boa fase e garantir, novamente, posição na disputa do título. O carnavalesco Alexandre Louzada preparou um desfile de impacto visual e modernismo para contar o enredo "Eu sou o tempo, tempo é vida".

Assista aos melhores momentos do 2º dia de desfiles no Rio

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Com um dos melhores sambas do ano e forte em vários quesitos, como mestre-sala e porta-bandeira, bateria e comissão de frente, a Mocidade conseguiu se credenciar à disputa pelo título mantendo o padrão visual assim que os primeiros raios de sol saíram.

Porém, o pré-Carnaval foi um tanto complicado para a verde e branca da Zona Oeste. Com severas dificuldades financeiras, a escola teve que pedir ajuda aos componentes para que comparecessem ao barracão e ajudassem a confeccionar alegorias e fantasias.

Comissão de frente

Uma máquina do tempo brotou na Sapucaí. Comandada por um cientista, uma clara inspiração em Albert Einstein, a máquina trouxe um "Transformer" do futuro -- um carro que se transformou em um humanoide -- e ainda trouxe o passado, com direito a um homem das cavernas que evoluiu para o sambista. Interessante foi a construção do trem, a máquina do tempo em questão, que se locomovia como uma sanfona, uma construção difícil que funcionou visualmente no Carnaval.

Elza Soares

Elza Soares foi a protagonista do abre-alas "Cronos" no desfile da Mocidade. A icônica cantora da MPB surgiu em um trono prateado no carro alegórico que simbolizou o início do tempo. "Foi lindo cantar esse samba gostoso. Estou muito feliz, tudo está acontecendo maravilhosamente bem", disse Elza após o desfile, anunciando também que será a homenageada pela Mocidade no Carnaval de 2020.

Dragão

Versando sobre os calendários criados há milhares de anos, a escola citou a Mesopotâmia e a China. Um grande dragão vermelho, laranja e amarelo tomou a avenida soltando fogo pelas ventas, brilhando ao encontrar os raios de sol, formando um dos destaques mais bonitos desta edição do Carnaval. 

Desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel - Júlio César Guimarães/UOL
Desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel
Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Lexa

"Estou muito nervosa e com os pés estraçalhados. Desfilei na Unidos do Bangú e estou com dor no pé. Mas estou muito feliz", declarou Lexa antes de desfilar como musa da Mocidade. A cantora foi fantasiada de Aurora Boreal, que pesava mais de 10 quilos, mas ela declarou que "a alegria é maior do que tudo". A roupa prateada, que ostentou um belo adereço lotado de brilhantes na cabeça, caiu como uma luva para a funkeira, que provou, mesmo fora do seu ambiente natural, que leva jeito para o samba.

Multicolorida

A escola foi a única do segundo dia do Grupo Especial a desfilar com raios de sol, por isso abusou do colorido na avenida da Marquês de Sapucaí. A palheta de cores foi usada quase por completa pela agremiação, passando do amarelo ao roxo, preto, branco, amarelo e verde. Todas as fantasias foram feitas com muito cuidado, e, falando sobre o tempo, o sol não poderia deixar de ser representado para aquecer o final do Carnaval do Rio de Janeiro.

Veja o samba-enredo da Mocidade

"Eu sou o tempo, tempo é vida"

Senhor da razão, a luz que me guia
Nos trilhos da vida escolhi amar
Estrela maior, paixão que inebria
Eu conto o tempo pra te ver passar

Olha lá, menino tempo
Tenho tanto pra contar
Era eu, guri pequeno
Pés descalços, meu lugar
Quando um toco de verso (ôôô)
Semeou a poesia (ê láiá)

Eu colhi a flor da idade
Vi na minha Mocidade
O raiar de um novo dia

Baila no vento, deixa o tempo marcar
Nas viradas dessa vida
Vou seguir meu caminhar
Ah! Quem me dera o ponteiro voltar
E reencontrar o mestre na avenida

Desmedido coração
No contratempo dessa ilusão
Ora machuca, ora cura dor
Do meu destino, compositor
Tempo que faz a vida virar saudade
Guarda minha identidade
Independente relicário da memória
Padre Miguel, o teu guri já não caminha tão depressa
Mas nunca é tarde pra sonhar
Vamos lá, a hora é essa!

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