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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Entre o voto em cédula do Chile e o eletrônico do Brasil, fico com ambos!

Bandeira da OEA (Organização dos Estados Americanos) - Getty Images
Bandeira da OEA (Organização dos Estados Americanos) Imagem: Getty Images
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Sobre o Autor - A Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político - ABRADEP (https://abradep.org/) foi fundada no dia 20 de março de 2015, em Belo Horizonte. Com sede em Brasília, é composta por profissionais das mais variadas áreas de conhecimento (advogados, servidores da Justiça Eleitoral, professores, magistrados, membros do Ministério Público, profissionais da comunicação social, cientistas políticos, entre outros) e tem como propósito fomentar um debate equilibrado, transparente, objetivo e qualificado sobre democracia, promovendo o estudo, a capacitação e a difusão de temas referentes ao direito eleitoral e à intersecção entre direito e política

Volgane Oliveira Carvalho. Servidor da Justiça Eleitoral. Mestre em Direito pela PUCRS. Secretário Geral da ABRADEP.

29/11/2021 04h00

Eram quase 10 horas da manhã e após uma longa explanação sobre o sistema de votação chileno, integralmente baseado no voto em cédulas e na contagem manual dos sufrágios, uma senhora a serviço do SERVEL (Serviço Eleitoral Chileno) me perguntou sem rodeios:

- Você acha que nós somos muito obsoletos?

Ao que respondi, sem titubear:

- Não! cada país tem o sistema eleitoral que acredita ser o mais adequado e se a população concorda com a escolha então está tudo certo.

Esse é o papel que compete a um observador eleitoral internacional, verificar todos os passos de um pleito evitando ao máximo a emissão de qualquer juízo de valor. Contudo, independentemente dos compromissos da Observação Eleitoral Internacional, a afirmação é completamente verdadeira.

O modelo chileno é impensável para a realidade brasileira. Seria caótico, abriria uma gigantesca janela de oportunidade para fraudes e atrasaria em muito a divulgação dos resultados oficiais.

Na terra de Neruda, entretanto, a fraude eleitoral não está sequer no radar das inquietações políticas que atormentam os votantes, dado que não há uma cultura de manipulação dos votos no país.

Além disso, os eleitores, por possuírem um nível de escolaridade maior, se desincumbem com sucesso da missão de decifrar as cédulas eleitorais enormes, a maior delas do tamanho de um poster, que exigia doze dobraduras antes de ser depositada na urna.

A contagem pública dos votos pode ser considerada lenta para os padrões brasileiros, mas é acompanhada ao vivo pela televisão, que chega a mostrá-la voto a voto em algumas seções eleitorais.

O país se mobiliza acompanhando a apuração. Primeiro os votos para presidente, depois para senador, deputados federais e conselheiros regionais sucessivamente. O voto no Chile é facultativo. Acorreram às urnas pouco mais de 47% dos eleitores, algo como 6 milhões de cidadãos habilitados. Assim, ao fim da noite o quadro já estava definido.

Os chilenos dormiram satisfeitos com seu sistema eleitoral e pensativos quanto à decisão que deverão tomar em 19 de dezembro, quando ocorrerá o segundo turno. Os brasileiros, por sua vez, observaram um sistema muito eficiente e aceito pelo seu povo e confirmaram que o mesmo ocorre no Brasil.

P. S. Agradeço a todos os participantes da Missão de Observação Eleitoral Internacional no Chile, em especial a CAOESTE, Transparencia Electoral, Marcelo Peregrino, Cristian Jara, Barbara Benetti e Jesus Delgado Valery.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL