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Amaury Ribeiro Jr

Justiça liberta preso suspeito de violentar e engravidar menina de 13 anos

Amaury Ribeiro Jr Amaury Ribeiro Jr.

Natural de Londrina (PR), Amaury Ribeiro Jr é jornalista, escritor e compositor. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou como repórter especial dos jornais O Globo, JB, Correio Brazilense. Trabalhou também como editor da revista IstoÉ e produtor executivo da Rede Record. Em trinta anos, ganhou os principais prêmios de jornalismo: Esso (três), Embratel (dois), Líbero Badaró (dois), Vladimir Herzog (quatro), Rei da Espanha entre outros. É autor dos livros "Privataria Tucana", "O Lado Sujo do Futebol" (junto om Luiz Carlos Azenha e Leandro Cipoloni) e "Poderosos Pedófilos".

Amaury Ribeiro Jr.

Colunista do UOL

24/12/2020 04h00

A Justiça de Minas Gerais determinou que o DJ Risklinfo Saraiva, 42, preso pela polícia sob suspeita de drogar, molestar e engravidar uma menina de 13 anos, seja posto em liberdade. Indiciado pelo crime de estupro de vulnerável (manter relações sexuais com menores de 14 anos), Risk Saraiva, como é conhecido, responderá em liberdade ao processo.

O atleta e influenciador Rodrigo Fiúza, 47, o engenheiro Leonardo Zambrana e Lorraine Stefany, continuam presos. A Justiça acolheu o pedido do Ministério Público para converter a prisão provisória (30 dias) em preventiva (sem prazo) dos outros três indiciados. O processo corre em segredo de Justiça.

O UOL tenta há oito dias sem sucesso contato com os advogados de Risk, de Fiúza e de Lorraine.

A Justiça deve liberar nos próximos dias o resultado do exame de DNA que poderá determinar a paternidade do bebê de uma menina que teria sido drogada e sexualmente violentada neste ano em uma casa na Pampulha, em Belo Horizonte (MG).

Segundo a família, o corpo da menina era tão franzino que ela emagreceu dez quilos e teve que fazer o parto precocemente, aos sete meses de gestação, pois sua vida corria risco caso a gravidez fosse até o final.

Além das amostras de DNA do bebê — nascido há cerca de um mês — e da menina, foram colhidas amostras de Fiúza e de Risk.

Casa dos Anjos

De acordo com as investigações, durante a pandemia, Fiúza organizou festas entre adolescentes, empresários e convidados em um local na Pampulha conhecido como a "Casa dos Anjos". Depois de drogadas e violentadas, as meninas eram fotografadas nuas e as imagens, expostas na internet.

L. (inicial fictícia), a mãe do bebê, disse ao UOL ter sido drogada com loló (uma versão tóxica e mais barata do lança-perfume) e violentada sexualmente por Risk.

"Como eu estava totalmente drogada, só fiquei sabendo que tinha ido para o quarto com Risk por intermédio de duas amigas", disse.

Viciada na substância, L. acabou voltando à casa e foi novamente explorada sexualmente. Ela não descarta a possibilidade de que possa ter sido engravidada por outro frequentador da casa.

Quando a gestação foi descoberta, Fiúza a teria aconselhado a tomar um remédio para abortar.

"Por sorte não tive sangramento. Só umas pontadas na barriga", disse a menina. Segundo L., além de bebidas destiladas, eram vendidas aos convidados loló, maconha, cocaína e "balinhas", um preparado de drogas que era colocado na bebida.

Ativistas fazem campanha para ajudar vítima

A história de L sensibilizou movimentos ativistas feministas de todo o país, que acompanham de perto o caso. Promovida pelo movimento Vítimas Unidas, uma campanha já havia conseguido arrecadar até ontem quase R$ 2.000,00 para comprar fraldas e leite.

"A avó do bebê, que sustenta duas filhas e a neta, ganha R$ 50,00 como diarista. Por isso precisa de ajuda", disse ao UOL a presidenta dos Vítimas Unidas, Maria do Carmo dos Santos. Esse movimento já atuou no suporte às famílias e vítimas nos casos do suposto médium e empresário João de Deus, de Abadiânia (GO) e do médico Roger Abdelmassih, de São Paulo.

O suposto esquema de prostituição infantil na casa da Pampulha veio à tona no dia 18 de novembro, quando a Polícia Civil desencadeou a "Operação Angel". Uma das fotos da vítima foi acessada pela mãe na internet, que procurou a polícia.

"Denunciei o fato porque minha filha se sentia ameaçada. Até hoje está traumatizada", disse ao UOL a mãe da menina. No escritório de Leonardo Zambrana, um dos presos e indiciados, foi encontrado material pornográfico infantil.

Procurado pela reportagem, o advogado de Leonardo, Rodrigo Suzana, disse que as investigações correm sob segredo e que os familiares de seu cliente acreditam que a polícia esclarecerá os fatos e que a inocência de Leonardo ficará comprovada ao final do processo.