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Balaio do Kotscho

Fim de linha: só uma junta de psiquiatras pode livrar o Brasil de Bolsonaro

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Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

30/07/2021 16h53Atualizada em 30/07/2021 20h30

Bolsonaro, simplesmente, pirou de vez.

Se ainda restava alguma dúvida, o deprimente pastelão sobre "fraudes na urna eletrônica" apresentado ao vivo na noite de quinta-feira, durante 2 horas e 49 minutos, na TV Brasil e pelas redes sociais, mostrou que o presidente Jair Messias Bolsonaro não tem mais a menor condição de continuar governando o país.

Este é o fato; o resto é tudo fake news em doses industriais.

Como o impeachment se tornou inviável, após a entrega do governo ao Centrão, de porteira fechada, não adianta mais fazer editoriais, colunas, notas de repúdio, manifestações de protesto e denúncias na Justiça.

Tudo já foi dito e escrito a respeito da incompatibilidade do ex-capitão, com evidentes sinais de transtorno mental, para o exercício da Presidência da República.

"Chegou a hora de agir e arrancar o assassino de seu povo do posto que ocupa à base de mentiras e ofensas à Constituição", sugere meu amigo teólogo Leonardo Boff, com quem eu concordo plenamente.

De que jeito isso seria possível? Boff aponta a solução numa série de posts publicados no Twitter :

"Bolsonaro deve ser interditado por uma junta de especialistas, convocada pelo STF, por ser incapaz de liderar uma nação e de sustar o genocídio em curso. Alguém com poder deve fazer isso. Se não, passaremos por um povo insensível e cruel face a seus mortos por culpa de um genocida".

Esse teatro mambembe produzido por Bolsonaro para a volta do "voto impresso e auditável" tem o único objetivo de mobilizar suas tropas para melar o processo eleitoral e provocar uma convulsão no país.

O que o move é o derretimento da sua popularidade nas pesquisas e o medo de perder as eleições de 2022. Mais do que isso: é o pavor de ser processado e preso pelos crimes de responsabilidade em série que cometeu em seus dois anos e meio de governo, em especial no enfrentamento da pandemia, que já deixou mais de 550 mil mortos.

Só isso explica o seu desespero de apresentar como "indício de fraude" o vídeo de 2018 de um certo Alexandre Chut, astrólogo que faz acupuntura em árvores. "Provas das fraudes nas urnas! Exclusivo e urgente!", escreveu o doido na página de Naomi Yamaguchi (irmã daquela médica da cloroquina), suplente de deputada federal pelo PSL

A seu lado na live, estava um sujeito identificado apenas como "Eduardo", que seria um "analista de inteligência", encarregado de apresentar outros "indícios de fraude" encontrados por um outro "especialista" que ficou com medo de se expor, segundo o presidente.

Medo de quem? Depois se ficou sabendo que o tal de "Eduardo" é o coronel Eduardo Gomes da Silva, ex-assessor do general Luiz Eduardo Ramos na Casa Civil. Na sequência, apareceu também um "Jefferson" que seria "programador". De quê? De fake news?

Parecia tudo inverossímil, e era.