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Balaio do Kotscho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Melhor jogador do futebol brasileiro, como Hulk pode ficar fora da seleção?

Hulk, do Atlético-MG, comemora seu gol contra o Flamengo, pelas oitavas da Copa do Brasil - Fernando Moreno/AGIF
Hulk, do Atlético-MG, comemora seu gol contra o Flamengo, pelas oitavas da Copa do Brasil Imagem: Fernando Moreno/AGIF
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Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

23/06/2022 11h00

Tenho a impressão de que Tite não está assistindo aos jogos do Brasileirão. Deve achar que o futebol brasileiro anda tão fraco que não vale a pena perder tempo com isso.

Prefere viajar por outros países, com direito a todas as mordomias do Primeiro Mundo, para acompanhar os brasileiros que jogam fora do país, para formar a sua seleção da Copa do Qatar.

Só isso pode explicar como Paquetá e Gabriel Jesus estão sempre no seu elenco, e ainda continua de fora o fenomenal Hulk, do Atlético Mineiro, há dois anos o melhor jogador do nosso futebol.

Quem não viu não sabe o espetáculo que perdeu na noite de quarta-feira no Mineirão lotado, quando Hulk derrotou outra vez, praticamente sozinho, o Flamengo, com um gol de cinema, dando um balão no goleiro, e botando outro de colher na cabeça de Ademir para matar o jogo, depois de deixar pelo caminho toda a defesa adversária.

Tudo bem que o Corinthians ganhou de 4 a 0 do Santos e merece todos os aplausos da nossa crônica esportiva, mas quem assistiu ao jogo de Belo Horizonte não pode se conformar que o Brasil não leve para o Mundial o único jogador brasileiro fora de série em atividade, incluindo todos os que jogam nos grandes times da Europa.

Qual pode ser a explicação?

Tite deu várias chances até ao marrento Gabigol, que há tempos não joga nada, e passa as partidas em branco só reclamando do juiz, mas não me lembro quando foi a última vez que o técnico escalou Hulk como titular da seleção brasileira nos mil testes que fez com dezenas de jogadores na temporada pré-Copa.

Hulk não é só um grande artilheiro, com faro de gol e uma força física impressionante. É um jogador completo, que ajuda a defesa, arma o meio de campo, dá assistências e se apresenta sempre no ataque em condições de definir a jogada. Com dois toques na bola, desarma a defesa adversária.

Já pensaram num ataque com Hulk pelo meio e Vinicius Jr. de um lado, Rafinha, Antony ou Rodrygo do outro?

Além do seu tanque goleador, o Atlético, campeão brasileiro e da Copa do Brasil no ano passado, tem também o lateral direito Mariano comendo a bola, numa posição em que faltam opções, a ponto do veteraníssimo Daniel Alves, com prazo de validade vencido, continuar como titular, por pura teimosia do técnico.

Poucas vezes, nos últimos anos, o Brasil teve tantas novas caras para formar uma seleção fortíssima, capaz de competir para valer numa Copa do Mundo, mas continuamos com um time que joga como quatro anos atrás, quando fomos eliminados nas quartas de final. Por que Neymar, que vive machucado e fora de forma, tem que ser sempre titular? Outro que está merecendo pelo menos ser observado é o Raphael Veiga, do Palmeiras.

A CBF deveria convidar Tite e sua comissão técnica para ficar um pouco por aqui e assistir aos jogos do Brasileirão, sem preconceitos, antes de fazer a próxima convocação para os amistosos que faltam antes da Copa. Poderia ver de perto, por exemplo, outro craque atleticano, o volante Alan, que joga melhor a cada partida.

Vai ter boas surpresas, com certeza.

De quebra, poderia reaproximar a sua seleção "europeia" da torcida brasileira, abrindo espaço para os nativos que andam comendo a bola por aqui.

Em tempo: não sou torcedor do Atlético Mineiro nem do Palmeiras, mas do São Paulo, um time que sempre forneceu jogadores para a seleção, mas atualmente não tem ninguém em condições de ser convocado, assim como o Flamengo também não.

Futebol, como Tite costumava dizer, é momento.

Fica a dica.

Vida que segue.

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