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Chico Alves


Ex-líder do PSL vê ingerência de Bolsonaro na investigação do caso Marielle

Deputado Delegado Waldir (PSL-GO) - FABIO POZZEBOM / AGÊNCIA BRASIL
Deputado Delegado Waldir (PSL-GO) Imagem: FABIO POZZEBOM / AGÊNCIA BRASIL
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

30/10/2019 12h37

Ex líder do PSL na Câmara, o deputado Delegado Waldir (GO) se mostrou preocupado com a possibilidade de intromissão na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco depois que o nome do presidente Jair Bolsonaro foi citado por uma testemunha. Isso porque Bolsonaro disse que vai pedir ao ministro da Justiça, Sergio Moro, para que a Polícia Federal entre no caso e tome novo depoimento do porteiro do condomínio onde mora, no Rio de Janeiro.

"É uma interferência na investigação e isso não pode acontecer, é um absurdo. Há um fato a ser apurado, se é verdadeiro ou não, cabe à polícia dizer", diz o parlamentar, que é ex-policial civil. "Não é atribuição da Polícia Federal apurar crime de homicídio. Isso tem que ser por manifestação do Ministério Público ou do Poder Judiciário, para só então a PF entrar no circuito". Waldir argumenta que a instituição deve ter autonomia e que ir contra isso seria atacar a democracia. "O presidente está mal assessorado e comete mais uma canelada, como foi no caso do vídeo da hiena. Nem o próprio ministro Moro pode pedir isso, não é atribuição dele", explica o deputado.

Para ele, a polícia está fazendo o que pode e não seria justo qualquer interferência no trabalho dos policiais."Só com uma investigação isenta vamos saber se os fatos são verdadeiros ou não", acredita o pesselista. "As informações são de que o presidente não estaria no local, mas temos que ver quem estava lá".

A reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, revela que, segundo depoimento do porteiro do condomínio onde Bolsonaro mora no Rio, Élcio Vieira de Queiroz , um dos acusados de assassinar a vereadora Marielle Franco, esteve no local e pediu para ir à casa do então deputado no dia do crime. Segundo a investigação, Élcio acabou se dirigindo a outra casa, a de Ronnie Lessa, também acusado de participação no homicídio.

Para outro deputado do PSL, Júnior Bozella, não há motivo para o presidente se preocupar, já que a própria reportagem da Globo informa que ele não estava no local. A possibilidade de interferência é criticada: "Essa suposta necessidade de chamar a Polícia Federal para participar de um caso que tem ligação direta com o presidente da República nos chama atenção de forma negativa. Precisamos ter essa independência e o Moro sempre bateu nisso, de manter a independência dos órgãos de controle e da PF".

Bozella defende que é preciso blindar as instituições para que elas não sejam utilizadas para nenhum outro fim senão aquele para o qual foram criadas. "Essa ingerência do Planalto me preocupa não só de agora. Temos percebido a militância lavajatista muito preocupada com essa mudança de postura em relação ao que ele (Bolsonaro) falava na campanha sobre a independência da Polícia Federal e dos órgãos de controle".

Chico Alves