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Chico Alves


Bebianno poderia ter provocado "hecatombe" política, diz Major Olimpio

Senador Major Olimpio (PSL-SP)  - 18.jan.2019 - Simon Plestenjak/UOL
Senador Major Olimpio (PSL-SP) Imagem: 18.jan.2019 - Simon Plestenjak/UOL
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

14/03/2020 20h50

Depois de saber da morte do ex-ministro Gustavo Bebianno, por infarto, o senador Major Olimpio (PSL-SP) postou mensagem no Twitter. Disse que Bebianno "agonizava a cada dia com a tristeza da execração pública" a que foi submetido. E fechou de forma enigmática: "Enganam-se os que acham que com sua morte a verdade que ele conhecia irá morrer. O tempo é o senhor da razão."

A coluna procurou o senador para esclarecer o teor da mensagem. "Vou dizer uma coisa: por mais agudas que tenham sido as manifestações que ele fez, não fez todas e não disse tudo", garantiu Olímpio. "Não tenho conhecimento de cartas, mas ele poupou Bolsonaro, poupou o Brasil. Se ele tivesse dito o que sabia provavelmente teríamos uma hecatombe política no Brasil de consequências piores".

Perguntado mais uma vez sobre o que Bebianno sabia para abalar a política brasileira, o parlamentar manteve o mistério. "Foi o que eu disse: o tempo é o senhor da razão. Nós vamos mostrar e os fatos vão acontecer espontaneamente", disse.

A coluna insistiu em questionar se Olimpio sabe o que seria capaz de causar a tal "hecatombe" no país. "Bebianno nunca inventou história nenhuma, é o que eu posso te dizer. Deixa o tempo passar", repetiu.

Durante a entrevista o senador repetiu várias vezes a expressão "o tempo é o senhor da razão", enquanto dava a entender que o ex-ministro era detentor de um conteúdo importante. "Ao longo do tempo, com informações documentais ou que possam chegar à tona, tanto eu quanto Julian (deputado Julian Lemos do PSL da Paraíba) poderemos ser testemunhas de muita coisa, pode ter certeza disso".

O pesselista exaltou a competência e a fidelidade de Bebianno ao partido e a Jair Bolsonaro. Disse que se não fosse por ele, pendências no diretório de São Paulo teriam inviabilizado a candidatura de Eduardo Bolsonaro e a sua própria.

"Ele sofreu muito com a saída do governo, chorou com as perseguições absurdas de algumas pessoas, inclusive do filho do Bolsonaro (Carlos). O presidente não deu suporte pra ele em nada", lamentou Olimpio.

Na publicação feita no Twitter, alguns bolsonaristas comentaram que o senador seria um "traidor" por fazer homenagem a outro "traidor". "As pessoas não têm a mínima sensatez. Mas juntando as informações do general Santa Rosa (ex-secretário de Assuntos Estratégicos do governo Bolsonaro), do Julian e também as minhas, pode ter certeza que não morreu com ele a verdade", disse.

"Nosso lamento, nossas orações. Mas a população terá desdobramentos e informações muito duras em função da morte dele. Let it be", encerrou, citando a expressão em inglês que é título de uma música dos Beatles e pode ser traduzida como "deixa estar".

Chico Alves