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Chico Alves


Bolsonaro tem na China grande aliado contra o isolamento total

Winston Ling e Jair Bolsonaro - Reprodução Internet
Winston Ling e Jair Bolsonaro Imagem: Reprodução Internet
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

27/03/2020 16h34

Como se sabe, o presidente Jair Bolsonaro não está sozinho em sua cruzada contra a politica de isolamento total, adotada por vários estados e cidades a título de prevenção ao coronavírus. Empresários como Junior Dursky e Roberto Justus vieram a público para relativizar o impacto das mortes causadas pela doença e, com declarações estapafúrdias, defenderam que a prioridade dos governos deve ser o faturamento das empresas.

Ironicamente, um dos principais aliados de Bolsonaro na campanha "O Brasil não pode parar", pela retomada da atividade econômica e pelo tal "isolamento vertical", é um empresário que vive na China.

Trata-se de Winston Ling, advogado gaúcho de ascendência chinesa que hoje reside em Hong Kong. Envolvido em importação, exportação e negócios imobiliários, ele é apoiador de Bolsonaro desde a campanha eleitoral. Se gaba de ter apresentado Paulo Guedes ao presidente.

Há alguns dias, usa as redes sociais para propagar a ideia de que é errado parar as empresas para evitar o contágio. Ultimamente, dedica-se a propagandear o "isolamento vertical", que o presidente defende sem dizer exatamente como fazer, e divulgar carreatas de empresários contra a paralisação dos negócios.

Ling é uma espécie de alter ego de Bolsonaro. Apesar de morar na China, regime comunista, defende o estado mínimo, divulga mensagens contra o socialismo e define-se como ativista liberal. Antes de apoiar o então candidato a presidente do PSL, andou conversando com o partido Novo.

Há um ano, foi identificado em reportagem do Estado de S. Paulo, do jornalista José Fucs, como um dos disseminadores de fake news produzidas pelo chamado "gabinete do ódio".

Recentemente, Ling se aborreceu com as postagens em que Eduardo Bolsonaro atribuiu ao governo chinês a criação do coronavírus. Também recebeu ofensas de conteúdo xenofóbico. Apesar disso, continua alinhado a Bolsonaro.

Seu pai, Sheun Min Ling, saiu da China na década de 50, pouco depois que Mao Tsé Tung assumiu o governo, e veio para o Brasil. Foi um dos pioneiros na produção de soja em solo brasileiro e da exportação para a China. Também criou empresas de destaque na área petroquímica. O patriarca morreu há oito dias, aos 99 anos.

Já há alguns anos, Winston Ling está apartado dos negócios da família, por motivos desconhecidos.

Hoje, seu Twitter destaca a declaração de Bolsonaro de que governadores e prefeitos terão que pagar por ações trabalhistas decorrentes da paralisação das atividades econômicas.

Em tuítes anteriores, entre outras baboseiras, publicou que "estão fazendo de tudo para inchar as estatísticas do coronavírus no Brasil", que "ninguém está pedindo ajuda do governo, as pessoas só querem poder trabalhar e cuidar de suas vidas" e que o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde segue apenas interesses ideológicos.

Com todas as suas contradições e informações imprecisas, Winston Ling é uma boa amostra do Think Tank em que Bolsonaro e os bolsonaristas apoiam suas ideias.

Chico Alves