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Chico Alves


Políticos governistas fazem último esforço para evitar saída de Mandetta

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta - ADRIANO MACHADO
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta Imagem: ADRIANO MACHADO
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

15/04/2020 12h00Atualizada em 15/04/2020 15h44

Parece cada vez mais questão de tempo a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, mas ainda há quem tente segurá-lo no cargo. Políticos aliados do governo no Congresso desfiam uma série de argumentos desde o início da manhã desta quarta-feira para tentar convencer o presidente Jair Bolsonaro a não fazer mudança na pasta agora.

Parlamentares que estavam em seus estados (por causa do coronavírus as sessões do Congresso têm sido remotas) chegaram a Brasília há algumas horas para engrossar a turma do deixa-disso.

A principal argumentação é conhecida: sem Mandetta, o presidente arcaria com o desgaste da alta no número de mortos pela pandemia, prevista para as próximas semanas. Nesse cálculo, obviamente está incluído o custo eleitoral que os parlamentares terão que pagar.

Outro temor é o desmonte da equipe do ministério que está na linha de frente do combate à pandemia. O trabalho desses servidores é avaliado como muito bom e a remontagem da estrutura é considerada uma temeridade em meio à curva ascendente de casos da doença.

Um dos servidores elogiados é Wanderson Kleber de Oliveira, secretário de vigilância em Saúde, cuja mensagem de despedida foi publicada pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo. Alguns deputados pensavam em tentar manter Oliveira, mas ele já oficializou seu pedido de demissão. Parlamentares aliados do governo tentam agora evitar a saída de João Gabbardo, número dois do ministério, que foi um dos nomes cogitados até mesmo para substituir Mandetta.

O maior empecilho para a manutenção do atual ministro da Saúde é a contrariedade dos ministros militares, que deixaram de apoiá-lo desde a entrevista concedida ao Fantástico no domingo, considerada por eles acintosa.

A missão é quase impossível. Mas enquanto a demissão de Mandetta não é anunciada, a tentativa de fazer o presidente mudar de ideia continua.

Chico Alves