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Chico Alves


Investigação da PF sobre o filho Eduardo preocupa o presidente

Eduardo Bolsonaro  - Reprodução/SBT
Eduardo Bolsonaro Imagem: Reprodução/SBT
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

24/04/2020 01h19

Na cabeça de Jair Bolsonaro, não faltam motivos para tirar Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Para agentes com acesso ao alto escalão da PF, porém, algumas das causas mais fortes estão ligadas às investigações que fustigam o filho 03, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Normalmente preocupado em se mostrar confiante, Eduardo tem nos últimos tempos dado sinais de preocupação. Primeiro, com as investigações sobre fake news. Tanto que recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar impedir a prorrogação da CPMI que investiga o disparo de notícias falsas nas redes.

"Esse gesto faz a gente supor que o envolvimento de Eduardo com ilegalidades é bem pior do que imaginávamos", comenta o deputado Junior Bozella (PSL-SP), integrante da comissão.

Um dos pivôs dessa apreensão é Eduardo Guimarães, xará lotado no gabinete do 03, responsável pela página "Bolsofeios", uma das principais propagadoras de fake news da internet. Como a jornalista Constança Rezende revelou em março, aqui no UOL, a página foi criada a partir de um IP de dentro da Câmara dos Deputados.

O e-mail vinculado a "Bolsofeios" é o correio eletrônico funcional de Guimarães, secretário parlamentar de Eduardo Bolsonaro. Assim que foi exposta pela deputada Joice Hasselmann, a página foi tirada do ar, mas seu criador continua no radar da polícia.

Guimarães é velho conhecido da família presidencial: foi responsável pela atualização das informações da campanha do então candidato Jair Bolsonaro nas redes sociais.

Hoje, ele é um dos nomes investigados também no inquérito aberto pelo STF para elucidar os ataques à reputação de seus ministros e de integrantes do Congresso. Nessa apuração, a Polícia Federal aproveitou informações levantadas na CPMI das Fake News.

Alguns dos personagens dessas duas investigações se repetem agora no inquérito aberto a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, para identificar os responsáveis pelo protesto realizado no domingo, em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, que pediu o fechamento do Congresso e do Supremo.

Aras quer usar a Lei de Segurança Nacional para punir os organizadores da manifestação, os empresários que a financiaram e os deputados que ajudaram a divulgá-la. Diante disso, o filho presidencial 03 deu outra demonstração de temor. Assinou nota conjunta divulgada ontem por 25 deputados para tentar se eximir de responsabilidade pelas mensagens antidemocráticas.

No texto, Eduardo Bolsonaro e mais 24 colegas da Câmara negam ter "apoiado ou incentivado atos desfavoráveis ao parlamento, ao STF ou qualquer outra instituição". Claramente, trata-se de uma defesa prévia destinada à investigação aberta pelo Supremo, a pedido da PGR.

Essas três apurações resvalam (para dizer o mínimo) em Eduardo Bolsonaro. E deverão ter desfecho em breve.

Carlos Bolsonaro, por seu envolvimento com o chamado "gabinete do ódio", e Flávio Bolsonaro, pelo caso Queiroz, também estão na mira da PF.

Nada deixa o presidente mais intranquilo que ver seus filhos ameaçados.

ERRATA: a coluna errou ao colocar o DEM como partido de Eduardo Bolsonaro, que é filiado ao PSL-SP. O texto foi corrigido.

Chico Alves