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Vara da Lava Jato precisa ser despolitizada para fazer justiça
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Os que são supersticiosos talvez atribuam a algum tipo de maldição as seguidas encrencas ocorridas na 13ª Vara Federal de Curitiba, palco da famosa operação Lava Jato. Em parâmetros racionais, é difícil explicar a ocorrência de tantas barbeiragens e agressões ao devido processo legal concentradas em uma mesma repartição da Justiça. Quando se imaginava que com a saída de Sergio Moro as coisas voltariam ao normal, constatamos que as confusões continuam.
Nos últimos anos, o Brasil acompanhou a desconstrução do herói Moro, que de grande paladino da luta anticorrupção foi desmascarado e mostrado como ator político travestido de juiz. Os diálogos entre o ex-magistrado e os integrantes da força-tarefa do Ministério Público Federal, trazidos à luz por um hacker e publicados pelo site The Intercept, expuseram em detalhes a parceria ilegal entre juiz e acusação, além das ilegalidades decorrentes disso.
Moro largou a toga, tornou-se ministro de Jair Bolsonaro - presidente que ajudou a eleger ao mandar Lula para a prisão -, teve sua atuação reconhecida como parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e acabou por eleger-se senador.
Nos últimos meses, a repartição que já foi comandada por Moro mudou radicalmente de orientação. Desde que assumiu, o juiz Eduardo Appio não poupou críticas aos métodos da operação Lava Jato e a seu antecessor. Classificou como ilegal a prisão de Lula, começou a revisar vários processos e se dispôs a ouvir o testemunho de Rodrigo Tacla Duran, advogado que acusa Moro e Deltan Dallagnol de participarem de um esquema de propinas para garantir a liberdade de acusados.
Ou seja: saiu Moro, entrou o anti-Moro.
Agora, Appio é acusado de ligar para um advogado sócio de Rosângela Moro para confirmar a suspeição de seu pai, o desembargador Marcelo Malucelli, revisor dos processos da Lava Jato. Por causa disso, foi afastado da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Seria o momento desse importante espaço da Justiça Federal do Paraná finalmente passar a ser conduzido por alguém equidistante.
Mas eis que hoje foi indicada para assumir aquela unidade judiciária a juíza Gabriela Hardt, que atuou várias vezes como substituta de Moro.
Foi ela, inclusive, que condenou Lula em 2019 a 12 anos e 11 meses de prisão no caso do sítio de Atibaia. A condenação - cuja sentença teve um trecho plagiado de um texto de Moro - foi anulada pelo STF.
Alguns diálogos expostos na Vaza Jato sugerem que Hardt tinha a mesma parceria com a acusação que era cultivada pelo juiz titular.
Ou seja, a assunção da juíza mantém a aura de politização sobre a 13ª Vara Federal de Curitiba.
Assim, como acontece há muitos anos, muitos brasileiros continuarão duvidando que naquele lugar seja produzida a matéria-prima de que é feito o Estado de Direito: justiça.
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