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Constança Rezende


Bebianno: Bolsonaro obteve de delegado dossiê "de suruba" contra Príncipe

Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

14/11/2019 00h09

Em um vídeo disparado para a imprensa, o ex-secretário-geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, fez novas acusações contra o presidente Jair Bolsonaro. Desta vez, Bebianno afirmou que, ao contrário do que disse o presidente, foi Bolsonaro quem obteve um suposto dossiê contendo acusações contra o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), o chamado "príncipe".

Segundo Bebianno, Bolsonaro teria ligado para ele, em uma madrugada durante a campanha, para dizer que um delegado da Polícia Federal e um coronel do exército teriam um dossiê contendo informações sobre a participação de Luiz Philippe em festas gays e em gangues que agridem moradores de rua. Por isso, segundo o ex-aliado, Bolsonaro teria desistido de assumi-lo como candidato a vice-presidente.

"Quando estava tudo ok para o registro dele no TSE, o telefone toca de madrugada, às 4h30 de um sábado. Era Jair Bolsonaro dizendo que tinha recebido um dossiê entregue a ele por um delegado federal, que eu não sei quem é, em conjunto com um coronel do exército, que eu também não sei quem é. Jair me disse ao telefone, eu acordei atordoado, não esperava aquela ligação, que naquele dossiê tinha fotos do Luiz Philippe participando de festas gays, bailes de máscara gays, além de um envolvimento com gangues de briga de rua que agrediam mendigos", disse.

Bebianno afirmou que a história era "tão esquisita, baixa e surreal", que acordou atordoado. Depois disso, Luiz Philippe acabou sendo preterido pelo general Hamilton Mourão. Bebianno ainda desafiou o presidente a passar por um "detector de mentiras" com ele.

"Gostaria de passar por um detector de mentiras, eu e o senhor. Eu de um lado, o senhor do outro. Vamos ver quem é o mentiroso? Eu gostaria. Tá aqui o desafio, quero ver se o senhor aceita", disse.

O ex-ministro ainda afirmou que o mandato de Bolsonaro "não lhe outorga poderes para atacar e denegrir a imagem das pessoas como ele tem feito".

"Presidente, quero ver se o senhor tem coragem de olhar nos meus olhos e dizer isso olhando para mim. Acho que o senhor tem que se lembrar de tudo que eu e o meu grupo fizemos para o senhor", disse.

Nesta terça-feira, durante uma reunião para anunciar que fundaria um novo partido, o presidente desabafou a parlamentares que estaria arrependido da escolha de Mourão e teria pedido desculpas ao príncipe. Já o deputado federal disse que Bebianno fez um dossiê contra ele e que o documento fez com que Bolsonaro o descartasse na chapa.